Livro - O Retorno de Piedmon
Prólogo
Tudo começou naquelas férias de verão. Sete crianças foram para um acampamento se divertir, e, sem saber, estavam a ponto de entrar na maior aventura de suas vidas. Tai, Matt, Sora, Izzy, Mimi, Joe e T.K mal sabiam que, com ajuda de pequenos aparelhos que caíram do céu, iriam partir para um novo mundo. De ali em diante eles eram os Digiescolhidos. Muitas alegrias e tristezas fizeram parte daquele ano. Depois de algum tempo a 8ª Digiescolhida, Kari, se uniu a eles. Eles enfrentaram inimigos poderosos, fizeram vários amigos e salvaram o novo mundo e o seu próprio.
Três anos se passaram. Aqueles que já foram chamados de Digiescolhidos estavam mais velhos. Alguns tinham até deixado de se falar. Mas eles ainda tinham que realizar mais uma tarefa. O Digimundo estava em perigo novamente. Eles já não eram mais os escolhidos, mais tinham a função de guiar as novas crianças – Davis, Yoli e Cody – de modo correto, a fim de que, com a ajuda de Kari e T.K, eles pudessem salvar novamente o outro mundo e seus amigos Digimons.
Novamente as crianças se viram em situações perigosas mais, com adição de um novo membro ao grupo – Ken, que era o Imperador Digimon – eles finalmente conseguiram derrotar o inimigo e estabelecer, a paz no Digimundo.
Cinco anos ao todo se passaram desde que os primeiros Digiescolhidos enfrentaram seu destino no mundo Digital. O grupo estava maior, todos tinham crescido e alguns já eram adolescentes. Eram agora no total 12 crianças escolhidas. Será que o papel deles em toda essa história havia acabado?
Capítulo 1
Reencontro
Já passava do meio-dia, o tráfego em Odaiba fluía normalmente. Como sempre atrasado, Tai terminou de se vestir e saiu em disparada na direção da porta, onde, há meia hora, sua irmã Kari estava esperando-o. Finalmente prontos, os dois partiram.
“Ei Kari” começou Tai enquanto viravam a esquina do grande edifício onde moravam, “Dá para acreditar que já se passaram 2 anos desde que tudo terminou? Quer dizer, desde que você, e os novatos derrotaram Myotismon definitivamente...” e continuou, “Sinceramente sinto falta de uma boa aventura... Sabe? Como nos velhos tempos.”
Tai tinha a impressão de que estava falando sozinho, além do fato de Kari não estar de bom humor devido ao seu grande atraso, ele conhecia a irmã, podia perceber que algo a incomodava.
“Chegamos”, disse Kari, e, de fato, lá estavam eles, diante da estação de TV, prédio que foi, talvez pelo próprio destino, alvo da maioria dos “atentados” Digimon. Sim, naquele mesmo local há cinco anos Tai e seus companheiros, também conhecidos como “Os Digiescolhidos”, travaram a luta com Myotismon e o derrotaram com o poder da Oitava Criança.
E finalmente, com um pouco de nostalgia, os dois chegaram ao local de encontro, em frente ao prédio. Afinal, era dia Primeiro de Agosto, data na qual os primeiros Digiescolhidos foram para o Digimundo e, desde então, nessa data eles se reúnem e comemoram tudo que realizaram juntos.
Devido ao atraso de Tai todos já se encontravam lá, e, dava para perceber pelas caras, que já fazia algum tempo. De qualquer forma, todos se cumprimentaram muito animados, afinal, eram raras as oportunidades nas quais eles se juntavam novamente. Agora eram adolescentes, a maioria ocupados, alguns nem moravam mais em Odaíba, portanto aquele dia era especial demais para ser estragado por brigas sem sentido.
Tai foi cumprimentado um por um. Todos os rostos familiares, porém alguns diferentes. Querendo ou não, Tai tinha mais afinidade com os primeiros Digiescolhidos, talvez até por não ter tido muito tempo a sós com os novos. O fato é que não podia evitar abrir um grande sorriso quando viu, de relance, Sora e Matt, seguidos por Izzy e Joe. Mimi também estava lá, toda arrumada como sempre, desta vez seu cabelo havia mudado novamente (nas três ocasiões que a viu desde que ela foi morar nos EUA o cabelo havia mudado), agora estava liso com mechas loiras. Um pouco separados do grupo estavam Kari, T.K, Davis, Yoli e Cody. Aparentemente Ken não estava lá, o que não abalou Tai de forma alguma. Para falar a verdade não simpatizava muito com o garoto em função das “discórdias” do passado. Tai não conseguia perdoá-lo pelo que fez com Agumon quando era “O Imperador Digimon”, nem entendia como os outros o perdoaram tão facilmente, mas como a decisão não cabia a ele, resolveu deixar pra lá.
“Então você finalmente apareceu. Continua preguiçoso como sempre, né?” uma voz familiar, Tai se virou e viu o rosto de Matt encarando-o. “Pois é, acho que nunca vou mudar.”
Eles não disseram mais nenhuma palavra, mais ficou claro que ambos estavam muito felizes em se ver de novo, ao contrário dos outros, Matt parecia mais especial, talvez até pelas brigas e desavenças que os dois enfrentaram eles se tornaram amigos mais fortes e unidos do que os outros.
Logo atrás veio Sora, e acariciou o braço de Matt, por alguns segundos, Tai ficou perplexo, porém depois lembrou que os dois haviam começado a namorar, e sentiu um pingo de inveja do amigo. Ele sempre gostou muito de Sora e, por alguma razão, sempre pensou que acabaria junto dela.
Sora deu um beijo na bochecha de Tai e um abraço que quase lhe esmagou, e disse: “Quanto tempo! Você cresceu!”. Por mais carinhosa que fosse a intenção dela, Tai sentiu como se a própria mãe dele tivesse falado aquela frase. Hoje em dia entendia perfeitamente o significado do brasão de Sora, o Amor, um amor fraternal por todos seus amigos que até chegava a ser sufocante.
Então chegaram Izzy, Joe e Mimi. Como de costume Izzy portava seu laptop, Joe parecia preocupado, mais isso não era novidade, e Mimi vinha totalmente alegre e saltitante em direção à Tai. Os três se cumprimentaram. Nada tão caloroso ou profundo quanto o abraço de Sora ou o olhar de Matt, afinal, Tai sabia que aquilo bastava. Mimi nunca foi sua melhor amiga e ele via Joe e Izzy constantemente.
Após todos se cumprimentarem Tai resolveu assumir seu lugar de líder nato e começou:
“Bom, todos sabem por que estamos aqui hoje.” Um baixo “Duuurd” pôde ser ouvido saindo da boca de Davis, mais os outros preferiram ignorar, “Como eu dizia, estamos aqui para comemorar o 5º ano desde que conhecemos o Digimundo e os Digimons, e, para Davis e seus amigos, o 3º ano.” Dessa vez nenhum comentário foi feito, Tai podia entender bem como todos se sentiam apenas pelos seus olhares. Ao citar os Digimons ele percebeu que todos começaram a pensar em seus parceiros que não viam a anos, devido ao fechamento do Portal entre os dois mundos. E então ele próprio começou a pensar em Agumon, e como sentia falta da companhia do monstrinho digital. Varrendo à tristeza ele continuou: “Nenhum de nós nunca esquecerá o tempo que passamos com nossos amigos Digimons, nem as aventuras e dificuldades enfrentadas, e, por isso nós sempre nos encontramos aqui para relembrar e discutir sobre todas elas, e mais, para manter os laços que criamos entre nós durante aqueles anos.” Tai não conseguia pensar em nada mais profundo do que isso, mas, aparentemente todos concordaram com suas palavras, inclusive aderiram ao fim da frase com palmas e exclamações. “Enfim, sem mais eu declaro a reunião anual dos Digiescolhidos aberta!” Definitivamente essa foi a frase de maior impacto, ao terminar Tai viu o que pareciam ser vários confetes atirados no ar, Yoli começou a tirar vários doces e salgados de sua mochila (seus pais tinham uma loja de conveniência), Izzy pareceu, pela primeira vez, esquecer seu laptop e entrar numa animada conversa com T.K. Joe e Cody começaram a discutir os vários tipos de digimons marinhos e, como sempre, ele viu Davis dando em cima de sua irmã, sem obter sucesso. Tudo parecia normal, então ele resolveu ir falar com Matt sobre como andavam as coisas.
E assim as 11 crianças passaram a tarde conversando, rindo e comendo, sem nenhuma preocupação...
Capítulo 2
Vingança
“Portal do Destino!”
Essas mesmas palavras dominavam sua mente. As últimas palavras que ele ouviu. A única coisa na qual conseguia pensar... Vingança!
Desde que os malditos Digimons das crianças escolhidas haviam derrotado-lhe, e que aquele desgraçado Holy Angemon o havia mandado para o vazio, ele só podia pensar em vingança.
Mais como? Como estava vivo, e, mesmo estando vivo, como sairia de lá e conseguiria destruir as crianças?
Ele não compreendia como eles eram tão fortes, tão unidos. Como era possível ele, o mais poderoso dos Mestres das Trevas, o grande Piedmon ser derrotado por crianças!
Parou para pensar e concluiu que o “por que” não importava, o fato é que ia sair daquela maldita prisão e iria destruir as crianças, uma por uma.
Mais quanto tempo tinha passado? Não conseguia distinguir a passagem das horas, muito menos dos dias e semanas, só podia lembrar-se das últimas palavras de seu inimigo e do eterno vazio onde estava agora.
Movido apenas pelo ódio, ele se levantou. Mais estava deitado, ou não. Sinceramente não sabia onde era o chão, estava apenas flutuando ali, num monte de nada. Focando-se no imenso poder das Trevas que existia dentro de si, ele explodiu.
Mas não estava morto. Ou estava? Ele podia falar, podia pensar, podia... podia ver!
E lá estava ele, de pé em algum tipo de praia. Mais não era uma praia comum. Após avaliar a paisagem em volta de si Piedmon entendeu. De alguma forma, ele havia chegado ao Mar das Trevas de Dragomon. Mais vivo do que nunca ele caminhou, começou a caminhar em direção ao mar. Ele podia sentir a energia das Trevas emanando das águas negras como a noite. E então ele entrou, deixou-se banhar pelo suave vai e vem das pequenas ondas formadas no raso. A energia tomando todo o seu corpo, o próprio Mal fazendo dele seu corpo.
“Piedmon Megadigivolve para... ChaosPiedmon!”
Como ele, um Digimon extremo poderia ter avançado de level? Isso ele não compreendia, mais podia sentir as Trevas em seu corpo, em suas veias. Agora ele era ChaosPiedmon, e nada poderia impedi-lo. O primeiro passo era retornar ao Digimundo, o que não foi de fato difícil, parecia que a própria dimensão estava agora sobre seu controle. Uma fenda abriu-se e ele pô de ver de relance as altas montanhas do Digimundo. Podia sentir o vento que soprava aonde um dia foi o topo da “Montanha Espiral”, lar dos Mestres das Trevas. Hoje não passava de ruínas, uma fração do que foi. Ele mudaria isso, sim, agora que estava livre nada podia detê-lo, iria tomar o Digimundo de volta à força, não havia ninguém capaz de impedi-lo.
Ninguém exceto elas. As detestáveis crianças e seus bichinhos de estimação. Precisava pensar. Assim que as crianças descobrissem sobre ele seria seu fim. Não podia permitir-se derrotar novamente. Porém, onde estavam elas? Onde estavam aqueles desprezíveis seres?
ChaosPiedmon começou a andar, e andou com uma satisfação que nunca tinha sentido antes. O simples fato de poder andar, de sentir o mundo à sua volta mostrava que estava vivo, e mais, estava mais forte, podia sentir.
Foi andando e encontrando caras de espanto e terror a sua volta, aparentemente passara-se muito tempo desde que ele foi derrotado, mais não tempo suficiente para que as marcas de medo e terror que ele espalhou pelos Digimons fossem apagadas.
E ele sorria, sim, sorria, pois não havia nada mais gratificante do que poder ver novamente o desespero dos seres inferiores que habitavam aquele Digimundo, o medo em seus olhos por perceber que a antiga ameaça havia retornado. Mais novamente a pergunta voltou a sua cabeça: Onde estavam os Digiescolhidos? Será que haviam se tornado tão arrogantes a ponto de não se importar com o retorno dele? Não, não podia ser isso, a própria reação dos Digimons à sua volta deixava claro que ele ainda era uma ameaça, uma grande ameaça. Então por que eles não apareciam?
Não importava, ele iria destruir tudo até eles aparecerem. Exato! Era isso que tinha que fazer, iria retomar seu trono que nunca deveria ter perdido. Seria novamente o mais poderoso de todos. Ele iria espalhar as trevas no Digimundo novamente, e se os Digiescolhidos aparecessem seriam apenas mais vítimas de seu poder. E assim foi destruindo e tomando o Digimundo aos poucos, semeando o ódio e o medo nos corações dos Digimons que deixava para trás. Matando qualquer um que se opusesse à sua vontade.
Piedmon havia voltado para ficar.
Capítulo 3
Mundos Separados
“Vamos não desistam!” Agumon já tinha falado isso tantas vezes para os outros que começava a se perguntar se não era melhor desistir mesmo.
Lá estavam os digimons dos 12 Digiescolhidos fugindo como nunca haviam fugido antes. O que estava acontecendo era simplesmente impossível, mais estava, de fato, acontecendo.
Piedmon havia voltado, e ainda mais forte. Ele estava dominando o Digimundo. O que eles podiam fazer além de correr? Nenhum deles podia Digievoluir sem as crianças.
“Não passamos de uns inúteis” pensou Agumon. Mais ele não podia passar esse pensamento para os outros. Como o Digimon de Tai ele representava o líder. Tinha que se manter forte, independente da situação.
“Podemos nos esconder ali!” gritou Gabumon, e numa velocidade impressionante os 12 digimons se esconderam dentro de uma enorme árvore aparentemente oca.
Temporariamente livres da ameaça, eles começaram a discutir sobre o que fazer a respeito de Piedmon. Durante toda a discussão apenas uma idéia ficou clara e foi aprovada por todos: Eles precisavam avisar os Digiescolhidos.
Mas, assim como a idéia foi aprovada por todos, ninguém sabia como realizá-la. Antigamente eles poderiam apenas chamá-los através do portal mais próximo, porém o último sacrifício de BlackWarGreymon, há 2 anos atrás havia selado o Portal entre os dois mundos definitivamente.
“Vamos destruir o selo! É o único jeito” disse Pyomon.
“Nenhum de nós tem poder para quebrar o selo Pyomon, BlackWarGreymon usou toda sua energia para criá-lo, e ele era um Digimon Extremo!” replicou Gomamon.
E assim a discussão se seguiu por horas, a opção “Quebrar o Selo” veio várias vezes a tona, e assim como surgia era descartada de imediato. Outras hipóteses foram levantadas, tais como gritar muito alto até as crianças ouvirem (essa foi idéia de Palmon, e alguns digimons responderam apenas com um olhar de desaprovação).
Para finalizar, os digimons chegaram a uma conclusão após o debate: estavam perdidos.
De repente, Veemon teve uma idéia. A única idéia que foi aceita pelos outros, inclusive por Agumon.
Eles precisavam encontrar Genai, e, por meio do poder de Tintiromon, se comunicar de alguma forma com as crianças, nem que fosse necessária a destruição do selo.
E assim os 12 digimons seguiram em sua missão em busca de Genai. Guiados apenas pela imagem de cada Digiescolhido em suas mentes e pelo desejo de destruir ChaosPiedmon e salvar seu mundo...
Nesse mesmo momento, no mundo real, Kari não conseguia dormir. Ela sabia que havia algo errado, esteve com esse sentimento o dia inteiro. “Não é nada” dizia para si mesma. “Não pode ser nada, nós acabamos com todas as ameaças...”
Mais ela sabia que tinha alguma coisa errada, diferentemente dos outros, ela sempre teve a capacidade de pressentir o mal quando ele estava próximo. E nesse exato momento ela tinha a mesma sensação que teve antes de enfrentar Myotismon, os Mestres das Trevas, o Imperador Digimon... Todos eles, todos despertaram o mesmo sentimento de repulsa em Kari, que, por alguma razão, não parecia afetar os outros Digiescolhidos da mesma forma. Será que ela era boa demais? Kari sabia a resposta.
Desde pequena sempre colocou o próximo em primeiro lugar, sempre procurou ajudar os outros.
Ela sabia perfeitamente que sua habilidade de sentir o mal era dádiva do seu brasão. A Luz é o contrário da Escuridão. Será que aquele sentimento queria dizer que a Escuridão estava dominando a Luz? Isso ela não sabia, mais sabia que tinha algo errado. Muito errado.
Então várias imagens começaram a passar em sua cabeça. Cenas do dia que havia passado, Tailmon correndo, a primeira vez que viu o Digimundo... E ela dormiu.
Capítulo 4
Aqueles Que Já Sentiram as Trevas
O dia seguinte amanheceu cinzento. Após um café da manhã reforçado com a “omelete especial do Tai” (nome que ele mesmo deu à sua omelete) Kari saiu de casa para caminhar um pouco. As férias de verão tinham sido calmas e tranqüilas, mais por mais que tudo parecesse bem Kari não conseguia se livrar daquela angústia que lhe tirava o sono.
Depois de caminhar um pouco resolveu que iria ver Ken. Além de estar curiosa para saber por que ele não apareceu no encontro dos Digiescolhidos, ela precisava se abrir com alguém. E sabia que não havia ninguém melhor do que Ken para tratar sobre esse assunto. Pois, afinal, ela e ele foram os únicos a tocar o mar negro de Dragomon e, portanto, ambos temem as trevas mais do que tudo. Kari então tomou o caminho para a casa do garoto.
Chegando lá bateu na porta mais ninguém respondeu de imediato. Uns 5 minutos depois uma mulher com aparência cansada e pálida atendeu, soltou um som que pareceu soar como “Olá, pois não?” e deixou Kari entrar. “Com licença senhora Ichijojy, o Ken está?” Kari perguntou com certa relutância. A aparência da mãe de quem deixava evidente que as coisas não estavam indo bem. “Ah, ele está em seu quarto há dias, pode tentar bater, ver se ele te deixa entrar...” respondeu a mãe de Ken num tom quase inaudível.
Kari caminhou rapidamente eu direção ao quarto do garoto, queria se desviar do olhar da mãe de quem que acompanhava detalhadamente seus movimentos, aparentemente ela estava extremamente abalada.
“Ken?” Kari chamou após bater algumas vezes na porta.
“Kari?” respondeu Ken, “Kari, é você?”
“Sim Ken, sou eu! Por favor, abra, tem uma coisa que eu preciso falar com você.”
Com o barulho do que pareceu serem várias trancas e cadeados a porta se abriu, e, do escuro Kari pode ver o vulto de Ken se encolhendo na cama.
“Ken! O que aconteceu com você? Por que não apareceu ontem...” mais foi interrompida pelo olhar fixo do garoto.
“Você sentiu também não sentiu, Kari?”
Kari não respondeu
“Eu sei que sentiu. Tem alguma coisa, alguma coisa muito errada acontecendo no Digimundo. Eu posso sentir o poder das Trevas crescendo cada vez mais. É por isso que você veio aqui, estou certo?”
“Sim... eu, eu queria saber o que pode estar acontecendo...”
“Eu gostaria de saber também. Só sei que as trevas estão consumindo tudo, até a minha semente começou a dominar de novo, eu senti que era o Imperador Digimon por alguns segundos nesses últimos dias...”
“É por isso que você se isolou aqui? Para evitar que se torne o Imperador novamente?”
“Sim, e pretendo ficar aqui. Não vou me tornar aquele monstro nunca mais.”
“Ken, você não é o Imperador! Ele já foi destruído, agora você é apenas o Ken, nosso amigo e companheiro!” disse Kari, de uma forma tão carinhosa que seus olhos se encheram de lágrimas. “O passado é passado! Agora você tem que me ajudar a descobrir qual é o problema que tem agitado as trevas!”
“Desculpe Kari, mas não sei o que pode estar causando isso. Só sei que é um poder maior do que todos que nós já enfrentamos, e, que se continuar a se expandir dessa forma, logo vai afetar o nosso mundo também.”
“Entendi... Acho que vou avisar Tai e os outros. Parece que chegou a hora de nos comunicarmos com o Digimundo de alguma forma.”
“Eu pensei nisso também” começou Ken, “Mais não tem como chegar ao Digimundo enquanto o Portal estiver selado...”
“Tem que haver alguma forma! Conversarei com os outros e volto a falar com você. Tchau!”
E Kari saiu do quarto rapidamente indo em direção à porta, procurando evitar mais um diálogo com a mãe de Ken.
A mente dela trabalhava a milhão. No caminho de volta a sua casa, a garota elaborou várias teorias de como abrir o Portal, ou o que poderia estar causando tantos problemas, mais tudo foi em vão, nada que ela conseguisse pensar parecia ajudar. Era melhor esperar e falar com os outros.
Capítulo 5
A Profecia da Ilha Arquivo
Enquanto a preocupação de Kari aumentava no mundo real, os Digimons lutavam para sobreviver no Digimundo e, finalmente, encontrar Genai.
Seguindo as instruções de Tentomon, os 12 Digimons seguiram em direção a um grande lago, onde era localizada a casa de Genai. Porém, diferentemente da última vez que foram lá, o lago não se abriu para mostrar o caminho, e os Digimons tiveram que nadar até lá.
Para a tristeza de todos, a casa parecia abandonada. Novamente o momento foi seguido por um longo debate entre os digimons, sobre o que fazer em seguida. Agora que não tinham encontrado Genai em sua casa não imaginavam onde ele poderia estar. Ele sempre foi muito reservado e intrigante, nenhum dos digimons sabia nada sobre ele, além do fato de que era um servo de Tintiromon, e que morava ali. Mas conhecendo o pouco que eles conheciam, sabiam que Genai não teria fugido com medo de Piedmon. Ou ele havia sido levado à força, ou havia saído de lá para alguma missão especial. A questão principal era: onde ele está?
Quase que respondendo à pergunta, um feixe de luz surgiu um pouco à frente do grupo de digimons. E, como de costume, a figura anciã de Genai surgiu no projetor.
“Olá Digimons.” por mais que todos estivessem surpresos, e até bravos com a calma na voz de Genai, apenas sua presença já era reconfortante.
“Desculpem-me não ter preparado nenhuma recepção calorosa como da ultima vez. Receio que ultimamente os tempos não permitam mais nenhum tipo de cortesia. Mas agora, lhes contarei tudo que precisão saber.”
Era incrível o modo como Genai parecia calmo e sossegado, em todas as ocasiões em que encontraram com ele, ele manteve a mesma postura intocável.
“Como ele voltou?!” uma voz infantil, porém enraivecida. Era Patamon. “Eu tenho certeza que acabei com ele aquela vez! Todos nós o vimos ser sugado pelo portal!”
“A questão, Patamon, é que o poder de Piedmon era maior do que o de vocês na época, inclusive maior do que o de todos nós na época. O Portal do Destino é um golpe incrível, porém não foi capaz de acabar inteiramente com as Trevas dentro dele. Tendo falhado na missão de exterminar o mal, automaticamente o Portal enviou Piedmon para outro mundo, paralelo a esse, conhecido como O Vazio.”
“Lá, Piedmon reuniu forças durante todos esses anos e, com auxílio do Mar das Trevas de Dragomon, pôde escapar da prisão e se tornar o monstro que é hoje.” Todos Digimons sentiam se fracos. Será mesmo possível que o poder deles todos não era capaz de deter Piedmon?
“Eu sei o que estão pensando. Mais a questão agora não é como ele escapou, mas sim como iremos derrotá-lo de uma vez por todas. Os mais antigos devem se lembrar que para derrotar Myotismon há cinco anos nós seguimos uma antiga profecia talhada nas ruínas da Ilha Arquivo. Pois bem, naquela mesma época eu achei duas profecias. Uma dizia a respeito de Myotismon, como vocês já sabem, mais a outra se referia ao retorno de um Digimon extremamente poderoso, o qual, na época, eu não conhecia. Hoje sei que ela dizia respeito à Piedmon.”
“Para resumir, preciso que vocês contatem as crianças Digiescolhidas no mundo real, e lhes informem sobre a profecia, pois, só desse modo teremos alguma chance contra Piedmon.”
Nenhuma palavra saiu da boca dos digimons, mais todos estavam pensando a mesma coisa: Como iriam avisar as crianças.
“Imagino que vocês sabem que o Portal foi selado, e que ir ao mundo real está, por enquanto, fora de questão. Porém, o garoto Izzy, em sua primeira visita ao Digimundo, desenvolveu, junto comigo, uma “rede” que mantém ligado os dois mundos, e que permite, dessa forma, a troca de informação entre eles. Como não tivemos nenhum problema por muito tempo, a rede foi esquecida e nós nos isolamos por completo do Mundo Real.”
“Como podemos usar a rede novamente?” perguntou Tailmon, que até o momento parecia imóvel.
“Boa pergunta Tailmon. A rede que liga os dois mundos pode ser reativada com o poder do seu Anel Sagrado. E creio que ele ainda será muito importante em toda essa história.”
“Vocês poderão encontrar o sistema da rede no meu quarto. Novamente peço desculpas por não poder ajudá-los pessoalmente, mais tenho coisas importantes para resolver agora.”
“Coisas? O que pode ser mais importante que salvar o Digimundo!” Patamon havia perdido a paciência novamente, mais foi inútil, assim que terminou de falar o velho ancião desapareceu e deixou os digimons sozinhos e confusos novamente.
Pelo menos agora ele tinham uma meta, e um meio. Precisavam avisar Tai e os outros, e, para isso, utilizar a rede que ligava os dois mundos.
Então os 12 digimons se dividiram em 4 grupos de 3 e foram procurar o dispositivo da rede. Afinal, nenhum deles sabia onde era o quarto de Genai, muito menos faziam idéia de como era o dispositivo. E para complicar um pouco mais, desde a primeira vez que viram a casa, ela tinha aumentado cerca de 10 vezes de tamanho. Mas agora que sabiam que havia como se comunicar com as crianças, todos estavam mais animados e esperançosos.
Então, os grupos estabelecidos foram: Agumon, Tentomon e Palmon cuidariam da ala norte da casa. Veemon, Tailmon e Patamon cuidariam da ala Sul. Gabumon, Wormmon e Gomamon cuidariam da parte leste e, por fim, Pyomon, Hawkmon e Armadillomon cuidariam da parte oeste.
Depois de muita procura o grupo que teve sucesso foi o de Gabumon. Quando todos se reuniram envolta do que acreditavam ser o dispositivo, Tailmon se aproximou e agitou seu rabo com o Anel Sagrado perto do aparelho. Aparentemente era um computador normal, porém ao ser tocado pelo Anel Sagrado, a máquina fez uma série de ruídos, como se estivesse conectando a internet por uma rede discada, e, quase que 10 minutos depois uma caixa de e-mail apareceu.
Com mais experiência em tecnologia, Tentomon assumiu o comando da máquina e digitou o endereço de Izzy como destinatário. O próximo passo era decidir qual seria a mensagem para as crianças. Novamente lançou-se um longo debate sobre quais deveriam ser as palavras, por mais que todos soubessem que isso realmente não importava. Longos trinta e cinco minutos depois ficou decidido qual seria a mensagem:
“Queridos amigos, precisamos da ajuda de vocês. O Digimundo está em perigo, Piedmon voltou, e mais forte do que antes.”
Ps: Yoli traga com você alguns doces da sua loja, por favor.
Ass: Agumon, Pyomon, Gabumon, Palmon, Patamon, Tailmon, Gomamon, Hawkmon, Veemon, Wormmon e Armadillomon.
Sim, a mensagem não era exatamente clara, nem muito bem escrita, mais foi o que um bando de digimons conseguiu escrever. O importante é que a volta de Piedmon havia sido notificada.
Quando Tentomon clicou em “Enviar” um bonequinho virtual igual ao Genai surgiu, e disse “Estou adicionando a profecia em anexo, talvez Izzy possa decifrá-la.” E sumiu de novo.
Pronto, a mensagem havia sido enviada, agora era só questão de tempo.
“Mais Tai, eu sei que tem alguma coisa errada acontecendo lá!” repetiu pela décima vez Kari, num constante apelo para que seu irmão prestasse pelo menos atenção.
“Kari, nós já derrotamos todos os Digimaus, resolvemos todos os problemas. Você deve estar doente, isso sim. Aliás, se houvesse qualquer problema, você não acha que Genai teria mandado alguma mensagem?” Tai tinha certeza que tinha vencido a discussão com esse argumento. Os Digiescolhidos sabiam muito bem que Genai tinha meios de se comunicar com eles.
“Sim, mas... mas e se alguma coisa aconteceu e ele não pôde falar conosco a tempo...” Kari não tentou mais, a evidência de que estava tudo bem no Digimundo era praticamente inegável. Mais por que, por que ela se sentia dessa maneira? Ela tinha certeza que tinha alguma coisa errada! E Ken, Ken também sentiu, quer dizer que ela não estava ficando louca... De qualquer forma, nada disso importava agora, ela sabia que Tai não ia ceder, por isso resolveu sair de casa para espairecer.
“Izzy meu filho, você não vai almoçar?”
“Agora não mãe, tenho que fazer umas coisas no computador...”
“Ai meu Deus, você não consegue largar esse computador! Como quiser, mais depois esquente sua comida...”
“Ok.” A atenção de Izzy para as reclamações de sua mãe eram mínimas. Esta manhã seu Digivice tinha brilhado e ele sabia que não tinha sido a toa. Só para garantir ele decidiu se conectar a velha rede que ele criou junto com Genai. Mesmo que tivesse sido em vão, seria bom rever o velho e conversar um pouco.
Izzy não sabia que quando ligasse o computador iria encontrar o e-mail que levaria a uma nova aventura...
Tai estava deitado em sua cama pensando no que tinha acabado de acontecer. Ele sempre confiou na intuição de Kari, porém, o que ela estava dizendo era simplesmente impossível de estar acontecendo.
Sim, dessa vez ela estava errada, e ele usava todas suas forças para acreditar nesse pensamento, porque, se ela estivesse certa, com certeza coisas estranhas começariam a afetar o mundo real logo. Conforme o tempo foi passando ele esqueceu a discussão e começou a focar numa garota que passava pela rua. Desde que descobriu do namoro de Sora com Matt não tinha parado para pensar como se sentia sobre isso. Os dois eram seus melhores amigos e ele nunca imaginou os dois juntos dessa forma. Parecia que todos tinham crescido menos ele.
Antes que seus pensamentos pudessem atingir um nível mais profundo, ele ouviu alguém esmurrando a porta. Como estava sozinho em casa, levantou para atender.
Tai não via essa expressão na cara de Izzy a muito tempo, e ele sabia o que ela significava. Nesse exato momento Izzy estava com a mesma cara que fez quando descobriu sobre Diaboromon.
“Tai, Tai!” a respiração de Izzy estava longa e abafada, aparentemente ele tinha corrido meio mundo. “Eu vim, o mais rápido que pude.” Mais uma pausa para recuperar o ar e Izzy continuou. “Rápido, precisamos chamar os outros, chegou um recado do Digimundo, eles estão com problemas, muitos problemas.”
“O que?! O que você disse Izzy?!”
“Piedmon voltou, e dessa vez mais forte.”
“PIEDMON?! Não pode ser, temos que avisar os outros rápido.” Enquanto Tai discava o número de cada um dos Digiescolhidos e lhes explicava a situação ele não conseguia tirar da cabeça a discussão que tinha tido com Kari horas antes. Será possível que era isso que ela estava sentindo?
Quase que 15 minutos depois todos os Digiescolhidos estavam reunidos na casa de Tai, todos alarmados e confusos, para não perder tempo Tai apenas disse algumas palavras em cada ligação, algumas delas nem faziam sentido, como por exemplo:
“Piedmon voltou, venha minha casa AGORA.”
Mais, conforme todos se acomodaram Izzy pode explicar-lhes melhor a situação e finalmente leu o e-mail em voz alta.
Após algumas exclamações e comentários e um “É claro que eu levo doces!” vindo de Yoli os Digiescolhidos se juntaram em volta do computador para ver o anexo.
A profecia dizia exatamente o seguinte:
“Então, no momento inesperado, o pior inimigo retornará e o mundo será coberto pelas trevas. Só os donos do poder sagrado poderão impedi-lo. Para isso deverão atravessar o Portal que foi fechado. O poder dos 12 não será suficiente para abrir o Portal, apenas aqueles que já foram anjos poderão se tornar deuses e liberar o selo.”
Era isso, nenhum dos presentes pareceu entender o que a profecia significava, e, após uma discussão alguns pontos pareciam esclarecidos. Eles chegaram a conclusão de que o “pior inimigo” era Piedmon, o que, segundo Izzy era “óbvio”. Descobriram também que “os donos do poder sagrado” eram os Digiescolhidos, que possuíam os Didivices. E, por fim entenderam que o poder deles não seria o bastante para abrir o Portal para o Digimundo, mais o fim da profecia ainda era um mistério. Quem eram aqueles que já foram anjos, e como eles poderiam se tornar deuses?
Capítulo 6
Despedidas
Davis estava deitado em sua cama pensando sobre a profecia. O que ela poderia significar? Ele não conseguia pensar em nenhuma relação entre anjos que se tornam deuses e o Portal do Digimundo. Os únicos anjos que vinham em sua cabeça eram Angemon e Angewomon. Mais eles eram anjos, e não tinham deixado de ser em momento algum... A não ser... É claro! Ele finalmente havia entendido, “Aqueles que já foram anjos”, só podiam ser Patamon e Tailmon!
Ele tinha que avisar alguém, já tinham se passado 3 dias desde que receberam a mensagem do Digimundo, as coisas por lá deviam estar piorando cada vez mais. Izzy instruiu os Digimons a aguardar na casa de Genai até que eles solucionassem a profecia. Mais saber quem são os anjos não resolve todo o problema, afinal, o que Patamon e Tailmon poderiam fazer para liberar o selo de BlackWarGreymon? Já era muito tarde, não adiantava tentar falar com ninguém a essa hora da noite.
Davis decidiu então que falaria com os outros garotos pela manhã. O problema agora era dormir com tanta coisa em sua cabeça. Como será que Veemon estava? Será que sentia sua falta... De repente uma saudade terrível bateu em Davis, como um trem atropelando-o. Já fazia tanto tempo que ele não via aquele sorriso bobo de Veemon, que tinha se esquecido de como sentia falta dele.
O melhor agora era deixar esses pensamentos rolarem soltos enquanto dormia, e foi o que ele fez.
Na manhã seguinte, Davis acordou muito disposto e cheio de energia. Apenas a idéia de ser o único capaz de desvendar a profecia já o deixava animado. Depois de um café da manhã relativamente comestível preparado por sua irmã, saiu como um raio de casa em direção à casa de Izzy, ponto marcado para o encontro desse dia.
Ao entrar no apartamento, percebeu que a maioria das crianças já estava lá, mais resolveu esperar mais um pouco antes de revelar o que havia descoberto, afinal era uma oportunidade única de se exibir para todos, especialmente para Kari. Quando Tai e Kari – atrasados novamente – se juntaram ao grupo, Davis resolveu agir.
“Gente, eu queria falar uma coisa.” Começou com um tom humilde e inocente.
“Ué, então fala Davis” T.K parecia impaciente.
“Bom... é que eu estava pensando na profecia e... bom, eu acho que sei o que significa...”
Antes que qualquer um pudesse responder ele continuou.
“Aqueles que já foram anjos, só podem ser Patamon e Tailmon!”
“Err, Davis, nós já sabemos disso, aliás, faz tempo que já sabemos.” A voz envergonhada de Joe invadiu o quarto.
“O que?! E como ninguém me avisou?!” O plano de Davis havia ido por água abaixo.
“Desculpa cara, estávamos ocupados demais tentando descobrir “como” Tailmon e Patamon podem abrir o Portal, acabamos esquecendo de avisar todo mundo” desculpou-se Izzy.
A desculpa de Izzy não colou para Davis, o “todo mundo” a quem ele se referia era na verdade apenas ele, pois nenhum dos Digiescolhidos, nem mesmo os mais novos, pareceram surpresos com a notícia.
Antes que Davis pudesse protestar e reclamar mais, um estranho barulho veio do computador de Izzy surpreendendo a todos. Era um e-mail dos Digimons:
“Acho que descobrimos como reabrir o Portal, quando falamos com Genai antes ele nos disse algo sobre o Anel Sagrado de Tailmon, e que achava que ele ainda poderia ser muito útil nessa história. Achamos que se usarmos o poder do Anel para energizar Patamon e Tailmon, talvez eles consigam se tornar os tais deuses e abrir o Portal, pelo menos pelo tempo necessário para a passagem de vocês.”
Enquanto Izzy respondia a mensagem aceitando o plano, Tai e os outros começaram a se preparar. Nenhum deles era mais um novato e todos sabiam muito bem que uma vez no Digimundo tudo podia acontecer, e, principalmente, que não havia previsão de volta. Era chegada à hora de partir, um momento que, por mais que as crianças já tivessem vivido, não era nunca fácil. Principalmente para os novatos, que estavam acostumados a transitar livremente pelo Digimundo. Após alguns comentários sobre o e-mail, o grupo resolveu se separar e começar a preparar tudo para a futura viagem. Agora chegara a parte mais difícil, falar com suas famílias.
Antes que Matt pudesse fechar a porta de casa pela qual tinha acabado de entrar, a voz característica de seu pai soou assustando-o.
“Você vai voltar pra lá, não vai?”
O pai de Matt era um dos pais que mais havia se envolvido com os problemas do Digimundo, e sabia que, pelo comportamento recente de Matt, algo estava errado.
“Sim. Desculpe, mais não tem outro jeito...”
“Você não tem que se desculpar, faça o que tem que fazer, você agora já é um homem Matt, mesmo quando criança você já fez muito mais do que eu por esse mundo, confio em você acima de tudo.”
Nenhuma outra palavra foi dita na residência Ishida naquela noite. O fim da confissão do pai de Matt foi seguido por um longo abraço dos dois e, antes que Matt pudesse sequer perceber, lágrimas brotaram de seus olhos. Nem mesmo ele podia lembrar a última vez que havia se sentido assim, o importante era que sabia que estava fazendo o certo, e que tinha todo apoio do qual precisava.
Sora voltou pra casa depois de um longo dia. Estava preocupada com a situação do Digimundo, e, principalmente, com Pyomon. Enquanto sua mente viajava com imagens de Pyomon e de todos os momentos que haviam passado no Digimundo, sua mãe se aproximou.
“Sora? Chegou tão tarde, onde você esteve?”
“Desculpe mamãe, aconteceu tanta coisa hoje que eu perdi a noção da hora...”
A expressão da Sora deixava claro que alguma coisa não estava certa.
“Algum problema filha?”
“Para dizer a verdade mãe... eu... eu vou voltar para o Digimundo!”
“O quê? Mais Sora, você não pode voltar para lá, pensei que você e os outros já tivessem feito tudo que tinham que fazer!”
“Mas mãe! Surgiu um novo problema e eles precisam de nós, você tem que entender!”
“Não Sora! Você não vai e ponto final. Não posso arriscar de perder, não de novo...”
Nesse momento Sora entendeu exatamente o que sua mãe estava sentindo. Ela se lembrou da vez em que tentou impedir Pyomon de ir lutar, pois era muito perigoso, mais no final entendeu que era o certo a fazer.
“Mãe, eu sei que é perigoso, e entendo a sua preocupação, mais isso é uma coisa que eu tenho que fazer. Por favor, entenda, eu irei com ou sem a sua aprovação. Mais se for sem, não conseguirei me concentrar lá. Por favor, se você realmente me ama me deixe ir.
As últimas palavras de Sora bastaram para que sua mãe percebesse que não havia nada a fazer. Agora só restava ajudar a filha no que ela precisasse.
“Eu te amo filha. E quero que vá em paz. Mas tome cuidado, sempre estarei aqui rezando por você.”
“Obrigado mamãe, eu também te amo.”
Sora agora podia dormir em paz. Pelo menos sabia que independente do que acontecesse sua mãe estaria lá apoiando ela.
Tai e Kari estavam deitados em suas respectivas camas conversando. Ambos estavam muito tensos e ansiosos para voltar logo para o Digimundo. Mais como sempre, Tai não expressava nenhum desses sentimentos. Já Kari mostrava claramente que estava preocupada.
Após um curto período de tempo em que os dois ficaram em silêncio, a mãe deles gritou da cozinha.
“Tai, Kari venham jantar! Eu fiz fígado, que vocês adoram.”
“Ah droga, fígado de novo” murmurou Tai para Kari quando se dirigiam para a sala de jantar.
“Relaxa Tai, provavelmente ela queimou tudo e vamos acabar pedindo uma pizza.” Kari forçou um sorriso que mais parecia uma cara de quem comeu e não gostou, mais Tai não forçou a barra e resolveu mudar de assunto.
“Então Kari” começou Tai “Você sabe que temos que contar pra mamãe e pro papai que vamos para o Digimundo. Todos os outros estão falando com suas famílias, nós temos que fazer isso também...”
“Sim, eu estive pensando nisso. Como você acha que eles vão reagir? Quer dizer, os dois sabem tudo que nós já fizemos, mais será que iram nos deixar partir mais uma vez? Mamãe ficou arrasada quando fomos enfrentar os Mestres das Trevas.”
“De qualquer jeito” respondeu Tai “Não temos escolha, nos resta agora pelo menos avisá-los para que não fiquem tão preocupados. Mais iremos de qualquer forma.”
“É, tem razão.”
E os dois se sentaram à mesa.
Ao terminar o jantar – basicamente fígado queimado – Tai e Kari pediram a atenção dos pais e começaram a contar tudo que estava acontecendo.
“Tudo bem filhão.” Disse o pai de Tai “Vê se acaba com eles dessa vez, ok Tai?”
“Haha, pode deixar papai!”
“E você tome cuidado Kari, sei que já está maior, mais sempre será minha princesinha.”
“Ah papai, você está me deixando sem graça...”
“Tome conta da sua irmã Tai” a mãe de Tai não estava tão calma quanto o pai, porém sabia que não havia o que discutir, seus filhos tinham se tornado muito mais do que ela podia imaginar, eram, de fato, heróis.
“Quando vocês partem?” perguntou o pai de Tai.
“Provavelmente amanhã, depende de como as coisas estão indo lá com os Digimons.”
“Muito bem então. Eu e sua mãe amamos muito vocês dois, por favor, tomem cuidado.”
“Papai, mamãe, vamos voltar assim que pudermos, prometemos!” assegurou Kari.
“É isso mesmo, logo logo estaremos de volta.” Reforçou Tai.
E depois de um péssimo jantar e uma ótima conversa, os Kamya foram se deitar.
Era um dia ensolarado de agosto que prometia muita emoção. Os Digiescolhidos se dirigiam até a casa de Izzy. Finalmente havia chegado a hora de ir ao Digimundo. Na noite passada todos haviam sido avisados que Tailmon e Patamon estavam prontos para abrir o Portal. De fato, havia chegado a hora. Cada criança tinha esclarecido a situação para seus pais na noite passada, e, a saída de casa nesta manhã foi um verdadeiro adeus para cada um deles. Nenhum dos pais proibiu os filhos de ir, pois, afinal, todos sabiam que não conseguiriam impedi-los.
Para a surpresa de todos, Ken se juntou a eles para esperar a abertura do Portal, e disse que não iria fugir da luta de forma alguma. Agora estavam todos lá, todos os 12 Digiescolhidos.
Capítulo 7
Selo Quebrado – Digiportal Abra!
Os 12 Digiescolhidos aguardavam ansiosamente e um tanto espremidos em volta do computador de Izzy. Segundo a última mensagem dos digimons, Tailmon e Patamon estavam tentando abrir o Portal nesse exato momento, logo, a qualquer instante, o Selo poderia ser quebrado.
“Sintam a energia do Anel Sagrado!” gritavam Tentomon e os outros digimons para Tailmon e Patamon, que se encontravam em volta do Anel que flutuava no ar e emitia uma luz tão forte que era difícil olhar diretamente. De repente uma energia começou a crescer dentro dos dois Digimons, de uma forma que nunca tinham visto antes. Era como se, de uma hora pra outra, tivessem se tornado seres invencíveis, eles sentiam como se nada pudesse impedi-los. E então, com uma explosão de energia dentro de cada um:
Patamon Megadigivolve para... Seraphimon!
Tailmon Megadigivolve para... Magnadramon!
“Eles digivolveram!” exclamaram os digimons em uníssono.
“Magnadramon” a voz de Seraphimon soava forte e imponente, mais não era rude, pelo contrário, tinha um tom angelical. “Vamos liberar o poder que nos foi dado e destruir o selo!”
“Sim, Seraphimon!” respondeu Magnadramon num tom igualmente angelical.
“LIBERAR A ENERGIA SAGRADA!” gritaram os dois verdadeiros deuses.
Seguidos por uma grande explosão, Patamon e Tailmon caíram nos braços de Agumon e Veemon, que os levaram para longe do Selo destruído, que ainda emanava energia.
Estava acabado, eles tinham conseguido destruir o Selo.
“Pessoal, OLHEM!” Izzy não podia acreditar no que estava vendo, o Portal tinha acabado de abrir ali, na tela de seu computador. Então enfim os digimons tinham tido sucesso
Quando todos se juntaram envolta do computador, Yoli deu um passo a frente e executou sua função como de costume.
“Digiportal abra! Digiescolhidos, lá vamos nós!”
Ao contrário do normal, as crianças não foram sugadas instantaneamente, mais antes que isso acontecesse cada Digivice brilhou como nunca antes. Isso só podia significar uma coisa, dessa vez, todos Digiescolhidos eram necessários. E, logo em seguida, lá se foram eles, sugados pela tela do computador.
Capítulo 8
Um Digimundo Coberto pelas Trevas
Quando as crianças chegaram, não conseguiram acreditar no que viam. Alguns até pensaram que algo tinha dado errado, que não estavam no Digimundo. Mais de fato eles estavam lá.
Tudo estava negro e morto, nem nos tempos dos Mestres das Trevas ou do Imperador Digimon eles tinham visto o Digimundo desse jeito. Será que tinham chegado tarde?
“Tai! Tai!” antes que pudesse sequer reagir, Tai caiu no chão. Mais não era um inimigo, era Agumon, que estava tão feliz por rever o garoto que saiu correndo mais rápido que todos os outros. E lá vinham eles, todos os digimons correndo com expressões de felicidade e alívio.
Davis e Veemon se abraçaram tão forte que Veemon começou a ficar roxo. Matt e Gabumon trocaram olhares sérios, mais os dois não podiam esconder o imenso prazer que tinham em se rever. Yoli não conseguia parar de beijar Hawkmon. Cody e Armadillomon sorriam de felicidade, Joe e Gomamon deram as mãos, Mimi girou Palmon como se fosse uma boneca... Todos estavam muito felizes por rever seus parceiros e amigos e a tarde passou rapidamente com Digiescolhidos e Digimons conversando e trocando notícias, tanto sobre o Mundo Real quanto o Digimundo.
Após um tempo, as crianças decidiram descansar um pouco e se preparar para o dia seguinte. Não sabiam realmente que horas eram, nem se já tinha anoitecido no Digimundo pois, devido à evasão das Trevas os dias tinham se tornado iguais as noites.
Foi uma noite longa. Primeiramente começou com uma briga entre Tai e Davis, porque Davis queria dormir perto da Kari, idéia que não alegrava muito o irmão da garota, e que resolveu bater nele por isso, depois Mimi acordou todo mundo por causa do que ela jurava ser uma ‘barata’. T.K e Matt também acabaram brigando porque, como sempre, Matt insistiu que T.K não precisava ficar de vigia, enquanto o garoto, dizendo que não era mais um bebê, iniciou uma longa discussão com o irmão mais velho. Izzy estava frustrado e estressado por não conseguir contatar Genai e acabou brigando com qualquer um que atravessasse seu caminho. Até Tentomon resolveu ficar na dele perto do menino, evitando qualquer possível desavença. O ar de tensão crescia no ar, as crianças já podiam sentir a influência das Trevas em seus corações, estavam mais melancólicos, mais cabisbaixos, como se tivesse alguém puxando eles para baixo. Eles sabiam que tinham que agir depressa.
Deixando de lado todos os problemas, as 12 crianças finalmente caíram no sono, para alguns, a primeira noite no Digimundo. Para outros, apenas o início de uma nova aventura...
“Zzztttzz, zzzttzz” As crianças e digimons acordaram com um zumbido irritante vindo de algum lugar. Pouco tempo depois, perceberam que era Genai. Por mais que parecesse impossível, a conexão estava ainda pior do que de costume, de modo que eles mal podiam ver Genai. De qualquer forma, todos se reuniram em volta do holograma e escutaram com atenção.
“Digiescolhidos, então vocês finalmente chegaram! Eu sabia que conseguiriam vir.” Por mais que a fala do velho parecesse alegre, ele demonstrava cansaço e frustração. “Nossa, vocês envelheceram, mal consegui te reconhecer Izzy, realmente cresceu.” Izzy ficou um pouco envergonhado, mas antes que pudesse responder Genai continuou “Desculpe-me chamar vocês novamente, mas creio que já estão a par da situação atual. O fato é que Piedmon não é mais o mesmo de antigamente, ele está mais forte, muito mais forte. Creio que agora é chamado de ChaosPiedmon. E com seu novo poder criou 3 Digimons guardiões, responsáveis por fiscalizar e espalhar as trevas neste mundo, enquanto ele fica no topo da Montanha Espiral.”
“Guardiões? Senhor Genai, isso quer dizer então que temos que derrotar esses caras para chegar ao Piedmon?” falou Cody, para a surpresa de todos.
“Receio que sim, meu garoto.”
“Não tem problema, acabaremos com qualquer um que cruzar nosso caminho!” A arrogância de Davis tomou vez.
“Se eu fosse você não subestimaria os inimigos, jovem. Seu nome é Davis, correto?”
“Sim, sou eu sim.”
“Pois bem, isso vale para Davis e todos os outros, os inimigo tem espalhado caos e terror por todo Digimundo, e, segundo as informações que venho coletando, eles tem poder o bastante para igualar um Digimon extremo. Felizmente eu bolei um plano de ação para vocês, e gostaria que ouvissem. Qualquer dúvida ou questionamento, por favor, esperem eu terminar.”
Todos ouviam atentamente à fraca imagem tremeluzente de Genai.
“Muito bem. Minha sugestão é que vocês se dividam em 3 grupos. Cada um deverá enfrentar um dos Guardiões. Com o pouco que descobri já foi possível estabelecer qual seriam as melhores formações possíveis. Eu diria que Tai, Sora, Izzy e Kari devem seguir na direção Norte.” Tai pôde enxergar no canto do olho a expressão de Matt por saber que não estaria junto de Sora. “Matt, T.K, Joe e Mimi devem seguir para o Leste. E, finalmente, Davis, Ken, Cody e Yoli irão para o Oeste.”
Mas Genai não tinha terminado ainda.
“Para o último grupo, quero dizer algumas coisas. Primeiramente, o poder dos Digiovos que vocês receberam em outrora já não existe mais. Ele era reflexo do poder do brasão de cada um dos antigos Digiescolhidos, portanto, agora que eles precisam desse poder de volta, os ovos não tem mais utilidade. Outra coisa, vocês 4 devem aproveitar a viagem e procurar seus próprios brasões, pois, afinal, vocês também tem suas próprias virtudes que lhes dão o poder da Super Digievolução.”
“Wow, nós temos nossos próprios brasões!” exclamou Yoli entusiasmada.
“Mais, senhor, eu perdi o meu brasão, o brasão da Bondade, há dois anos no Digimundo...” disse Ken gentilmente.
“Ah sim, o garoto da Bondade. Estou ciente da sua situação, mais posso lhe garantir que você também poderá reencontrar seu brasão.”
“Verdade?! Mais que bom! Muito obrigado senhor Genai.”
“Quanto a vocês, Digiescolhidos mais velhos, peço que tomem cuidado dobrado em sua busca. Por terem sido aqueles que derrotaram de fato Piedmon 5 anos atrás, serão o maior alvo da vingança do Digimau. Então é praticamente certo que os 2 Guardiões mais fortes atacarão vocês primeiro.
“Pode deixar Genai” disse Sora.
“Tomaremos cuidado!” disse Mimi um pouco apavorada.
“Muito bem, então é isso que tenho pra lhes dizer. Agora tenho que ir, meu tempo está se esgotando e manter a conexão dentro das Trevas de Piedmon é cada vez mais cansativo.”
“Genai, espere por favor, esses Guardiões dos quais você falou, será que posso identificar eles com o Identificador Digimon?” perguntou Izzy.
“Não tenho certeza Izzy, afinal, eles são criações diabólicas do próprio Piedmon, podem ser Digimons, mas não tenho certeza se são reconhecíveis.”
“Ok, muito obrigado Genai.”
“Chegou a hora de ir, adeus Digiescolhidos, confio em vocês para fazer o que fazem de melhor. E, se por um acaso perderem toda a esperança, lembrem-se que vocês foram escolhidos por uma razão, e que não há ninguém mais qualificado do que vocês para realizar essa tarefa.”
“Razão?! Mas que razão?” gritou Davis, mas era tarde demais, ao terminar a frase o velho já havia desaparecido completamente.
“E então” começou Tai um tempo depois. “Vamos nos separar como ele disse?”
“Acho que devemos repensar os grupos” disse Matt.
“Mas Genai disse que esses são os grupos com maior chance de sucesso!” respondeu Mimi.
“Não importa o que ele pensa, Mimi. Ele não nos vê há 2 anos atrás, todos nós amadurecemos.” Matt estava ficando impaciente.
“Aposto que ele me colocou com o Matt porque pensa que eu preciso da proteção dele.” Disse T.K mal humorado.
“E por que nós não podemos ficar com vocês?” indagou Yoli.
Estava claro que a seleção dos grupos havia gerado grande polêmica. Enquanto todos discutiam sobre a escolha de Genai, Izzy escrevia em seu computador.
“Parem de brigar! Será que vocês não percebem? Os grupos não foram escolhidos ao acaso, nem para provocar o T.K, muito menos para separar Sora e Matt e com certeza não foi para separar os novos dos antigos.”
Todos tinham parado de discutir e focaram seus olhos em Izzy.
Escutem, eu analisei a composição de cada grupo e as formas evoluídas dos Digimons. O grupo de Tai foi formado para enfrentar uma possível batalha aérea, já que todos Digimons são peritos em lutas voando, além do mais foi pensado para que eles possam se mover rápido o bastante para ajudar os outros se necessário. Já o grupo de Matt valoriza a força de ataque direto. Lilymon e Zudomon são bons para dar retaguarda para MetalGarurumon, e Holy Angemon é a chave do grupo, podendo abrir o Portal e com ajuda dos outros destruir o inimigo. Já o grupo de Davis foi feito mais por necessidade do que pela própria lógica. Os 4 precisão conseguir seus brasões, que devem estar, além de próximos um do outro, conectados de alguma forma. E eu arriscaria dizer até que Genai sabia que colocar um de vocês em outro grupo atrasaria as buscas por que teriam que parar para procurar o brasão, mais isso já seria uma suposição.
Todos estavam de queixo caído olhando para Izzy. Mais uma vez o garoto provava que merecia o brasão da Sabedoria.
“Eu concordo com o Izzy. Temos que acreditar na inteligência de Genai.” Disse Tai.
“Tem razão Tai, além do mais, iremos nos reunir novamente em breve para a batalha final!” completou Sora.
“Se vocês dizem então eu concordo.” Assentiu Matt com certa relutância.
“Ok então, ainda está cedo, vamos almoçar e nos preparar para partir!” ordenou Davis, mais todos pareciam ter ignorado o comentário.
“O Davis ainda ta achando que é o líder por aqui.” sussurrou Kari no ouvido de T.K, que não pode segurar uma risadinha.
Então os 12 Digiescolhidos comeram uma refeição digna de um Digimundo naquele estado. Mais não importava, todos estavam muito ocupados e ansiosos pensando nos tais Guardiões.
“Matt, se você quiser eu falo com o pessoal e a gente troca a Sora pela Mimi. Eu sei como você se preocupa longe dela...” Tai disse aquilo com uma dor no peito insuportável. Não importa o quanto isso o incomodasse, ele deveria por a amizade com Matt em primeiro lugar.
“Ah Tai, não precisa...” Matt parecia incomodado.
“Algum problema Matt?”
“Bom, é que... para falar a verdade, tem um problema sim. Tai, eu te conheço há tempo o bastante para saber quando tem algo te chateando, e não posso deixar de pensar que é meu namoro com a Sora.”
“Mais Matt eu...”
“Por favor, me deixa terminar. Eu só quero que você saiba que se você não estiver bem com isso eu termino tudo com ela. Afinal, vocês dois sempre foram destinados a estar juntos e nunca passou pela minha cabeça ficar com ela. Mais uma coisa levou a outra e, o fato é que, eu amo ela Tai...”
“Não precisa dizer mais nada Matt. O que eu tive com a Sora, se é que pode ser chamado de ‘algo’ não foi nada tão intenso como o que você sente por ela. Além do mais, eu já tive minhas chances e estraguei tudo, não vou interferir entre vocês dois. É verdade que ainda não me acostumei com isso e a idéia de vocês juntos me incomoda um pouco, mais eu quero ficar de boa com isso e vou ficar, não só por mim, mais por você e pela Sora também. Os dois são meus melhores amigos e não quero prejudicar essa relação por nada.”
“Haha Tai, nunca pensei que você pudesse falar coisas tão profundas.” Sorriu Matt.
“Ah, eu me guardo pras situações que pedem mais emoção.” Ironizou Tai.
E os dois amigos passaram a tarde conversando e rindo. Esquecendo, por algum tempo, o triângulo amoroso no qual haviam entrado por acaso.
Capítulo 9
Os Guardiões de ChaosPiedmon
Já era manhã do dia seguinte quando as crianças ficaram finalmente prontas para se separar. A noite anterior foi repleta de hipóteses e discussões sobre como poderiam ser os tais Guardiões de ChaosPiedmon e o quão fortes eles poderiam ser. Os grupos pareciam balanceados, tendo cada um deles um Digimon Extremo. WarGreymon no grupo da Tai, MetalGarurumon no grupo de Matt e ImperialDramon no grupo de Davis, ou pelo menos era isso que eles pensavam. Os Digiescolhidos mais novos passaram a noite inteira pensando sobre o que Genai havia dito. Será que eles tinham brasões tão incríveis quanto os dos mais velhos?
“Ei pessoal, está na hora de partir!” gritou Tai para o resto do grupo que ainda fazia os preparativos finais.
E era de fato a hora de partir, todos já tinham arrumado suas coisas e tomado o que poderia ser chamado de café. Os Digimons também já tinham sido alimentados e estavam cheios de energia para gastar.
Por fim os 12 se reuniram em um circulo para se despedir daqueles de quem se separariam.
“Vê se fica longe de encrencas enquanto eu não estiver por perto para te salvar.” Ironizou Matt para Tai quando o mesmo foi lhe dar tchau.
“Pode deixar, eu sei me cuidar.” Respondeu Tai no mesmo tom irônico. Desde a conversa do dia anterior os dois tinham se tornado mais apegados ainda, de modo que passaram horas da noite conversando sobre coisas do mundo real.
“Se cuida T.K” disse Kari com seu tom carinhoso e doce. E T.K respondeu:
“Você também Kari, espero que nós encontremos logo.” E carinhosamente beijou a garota na bochecha, o que deixou Davis vermelho de raiva e ciúmes.
“O que foi Davis? Você está bem?” perguntou Veemon com sua tradicional voz inocente.
“Ah não enche o saco Veemon.” Respondeu Davis mal-humorado.
“Se você quiser eu posso te dar um beijo na bochecha também. Você quer? Perguntou Veemon novamente inocente.
“Ah sai pra lá Veemon” exclamou Davis.
“Sora eu...” começou Matt.
“Shh, não fale.” Disse Sora colocando os dedos nos lábios de Matt. “Nos veremos em breve, pode ter certeza.” E ao terminar a frase Sora avançou para cima de Matt e lhe deu um beijo na boca que deixou todos ao redor boquiabertos.
Tai sentia como se WarGreymon e MetalGarurumon estivessem brincando de pega-pega dentro de sua barriga. Queria sair dali, queria vomitar. Só sabia que não podia continuar vendo aquilo, era pior que tortura. E, sem saber o que fazer, soltou um longo “Eeeeentão vamos lá!” e puxou Izzy que nem sabia direito o que estava acontecendo. Assustados pelo grito de Tai, os outros começaram a se mover, e Sora e Matt saíram de seu longo beijo e foram cada qual para seu grupo.
“Sentirei saudades!” gritou ela para o garoto conforme se afastavam. E a ânsia de Tai só parecia crescer conforme escutava as palavras de Sora para Matt, sempre mais e mais altas, e a imagem recente do beijo dos dois queimava em sua mente. Não havia nada a fazer. Ele amava Sora e não podia sequer dizer isso a ela.
Os gritos de adeus de Sora e Matt foram logo abafados pelas exclamações dos outros integrantes como Yoli gritando para Mimi e Davis mandando beijos e abraços para Kari. Tai teve quase certeza de ouvir um “Eu te amo” vindo de Davis, e acha que Kari ouviu também, mais pareceu ignorar. Por hora ele tinha que esquecer Sora, não havia tempo para conflitos amorosos na missão para qual foram designados. Ele sabia que qualquer distração poderia causar muitos problemas para todos.
E assim os 3 grupos foram se afastando cada qual para uma direção, até se perderem de vista.
“Mestre ChaosPiedmon” uma voz desconhecida com um tom maléfico soou por uma sala semi-escura banhada apenas pela luz irritante de uma tocha acessa. “As crianças começaram a se mexer. Como o senhor previu, elas se separaram em três grupos e seguiram direções diferentes.”
“Ah sim, finalmente eles resolveram agir. Malditos Digiescolhidos, destruirei todos vocês” a voz inconfundível de ChaosPiedmon ecoou na sala. “Não esperava que tivessem novos deles, mas não importa, podem ser 8 ou 12, destruirei todos que se opuserem à mim.” A risada maléfica de ChaosPiedmon parecia abalar até as paredes de pedra da construção rústica.
“Kingmon, Queenmon, Jackmon!” exclamou ChaosPiedmon.
“Sim mestre.” Responderam três vocês repugnantes.
“Quero que vocês dêem as boas vindas para as crianças. Especialmente você Kingmon. Você é o mais forte e quero que ataque o grupo com aqueles dois loirinhos. Mas não mate o que usa um chapéu branco. Ele e seu Digimon laranja são MEUS.”
“E quando a nós dois, mestre?” perguntaram Queenmon e Jackmon.
“Ah sim, Queenmon, você deverá enfrentar o grupo desse garoto de cabelo estranho, e Jackmon, como você é o mais fraco quero que destrua esses novos Digiescolhidos, eles não parecem ser de nada mesmo.”
“Sim senhor!” e os três vultos sumiram da sala.
“Hahahá, finalmente chegou à hora da minha vingança. Preparem-se Digiescolhidos, chegou a hora de enfrentar um inimigo de verdade. E você, garotinho” ChaosPiedmon apontava para T.K em seu grande televisor que mostrava, em câmeras diferentes, cada um dos grupos de Digiescolhidos “Você terá um destino muito pior que o deles, você e seu Digimon irão sofrer eternamente por ter atrapalhado meus planos 5 anos atrás!” a fúria de ChaosPiedmon ao se referir a T.K e Patamon foi tão grande que até a tocha que iluminava parcialmente a sala foi apagada.
Capítulo 10
Explorando o Leste
Já fazia dois dias que Matt e seu grupo haviam se separado dos outros e seguido rumo leste. Até agora a única coisa que predominava na paisagem era o tradicional tom negro e sombrio das folhas, árvores e arbustos. Até as flores e o céu tinham se tornado cinzas e sem vida. Parecia que o Digimundo estava morrendo. O grupo não falava muito, com exceção das constantes reclamações de Mimi quanto há comida ruim, saco de dormir desconfortável e, principalmente, dor nos pés. Matt estava a ponto de explodir com a garota, mais sabia que, na ausência de alguém mais capacitado, ele era o líder deles, e tinha que agir como tal.
Na noite do segundo dia, as crianças finalmente avistaram um local familiar, por mais que estivesse totalmente diferente e, como de costume, coberto pelas trevas. Era a antiga fábrica aonde conheceram Andromon. Matt se lembrou do ciclo que a fábrica realizava, construindo e desconstruindo máquinas inúteis. Aparentemente o local estava abandonado e parecia de alguma forma, ainda pior do que antes.
Enquanto o grupo andava pelos arredores da fábrica eles ouviram um barulho. De repente:
“Lâmina Trovão!”
O ataque de Andromon passou raspando nas crianças, que mal conseguiram acompanhar o feixe de energia com os olhos.
“Quem são vocês invasores, e o que fazem na minha fábrica?” perguntou Andromon com sua voz cibernética.
“Andromon, somos nós, os Digiescolhidos! Por favor não nos ataque, somos seus amigos!” disse Mimi e os outros assentiram com um aceno positivo de cabeça.
“Digi... Digiescolhidos?!” Andromon parecia surpreso. “Então vocês voltaram finalmente! Não sabem como estou feliz em vê-los amigos, mas, onde estão Tai, Kari e os outros?” Andromon tinha mudado o tom de voz para um mais amigável e afetivo.
“Eles estão no Digimundo também.” Começou T.K “Mas no momento estamos separados. Queremos encontrar e derrotar os três servos de ChaosPiedmon, conhecidos como “Os Guardiões”.”
“Entendo, então vocês já estão cientes da situação. Eu faço parte de um grupo formado por alguns Digimons livres que resolveram lutar com ChaosPiedmon. Nós somos poucos, mais temos tentado libertar territórios das garras do desgraçado. Esses Guardiões são de fato um problema, nem eu pude enfrentá-los. Mas eu já vi vocês fazerem tantas coisas que para mim pareciam impossíveis que não tenho a mínima dúvida de que vocês podem com eles.” Andromon fez uma pequena pausa, e continuou. “Venham por aqui, tem uma reunião da Resistência marcada para daqui alguns minutos, por sorte, será nessa fábrica mesmo. Acho que todos vão gostar de rever vocês.”
“Você disse rever?” perguntou Joe. “Quer dizer então que nós já conhecemos os membros?”
“Ah sim, creio que vocês conhecem todos eles. Logo vocês verão.”
E assim os 4 Digiescolhidos seguiram Andromon para dentro da fábrica.
Dentro da fábrica, Andromon serviu um pouco de comida para as crianças e eles conversaram sobre as coisas que vinham acontecendo no Digimundo e sobre a formação da Resistência. Algumas horas depois os outros membros chegaram e a reunião teve início.
Matt pôde ver Andromon, Leomon, Picklemon, Yukidarumon e Kentarumon organizados numa roda em volta deles. De fato, a Resistência era composta apenas por Digimons fortes os quais as crianças já haviam encontrado antes. Alguns deles, como Leomon e Picklemon aparentemente renasceram como Digitamas e já haviam retomado sua forma anterior, o que não era tão surpreendente, visto que eles haviam sido destruídos 5 anos atrás. De qualquer forma, Matt sabia que ambos eram muito fortes e corajosos, e se sentia de certa forma aliviado por saber que alguém além deles estava tentando ajudar.
“Digiescolhidos! Então nos encontramos novamente. Fica grato por terem vindo nos ajudar.” O primeiro a se pronunciar foi Picklemon.
“Matt, Joe, Mimi e T.K” uma voz familiar. “Então vocês finalmente vieram. Eu sempre acreditei que voltariam. Tai e os outros vieram também?”
“Sim Leomon, eles estão aqui, no momento estamos separados para procurar pelos ‘Guardiões’, mas logo estaremos juntos de novo.” Respondeu Mimi.
“Entendo, então vocês estão atrás deles. Eu renasci um tempo depois do Imperador Digimon ter sido derrotado, por isso acabamos não nos encontrando. Vocês todos cresceram muito, especialmente você T.K. Não é mais o garotinho chorão com medo de lutar que eu conheci.”
“Obrigado Leomon, sentimos sua falta também.” Respondeu T.K.
“Muito bem, então vamos começar a reunião. Proponho que mudemos o assunto principal para como poderemos ajudar os Digiescolhidos.” Disse Andromon.
Todos assentiram com a cabeça. Mas antes que eles pudessem de fato discutir o assunto uma grande explosão em alguma parte da fábrica interrompeu a reunião.
“O quê foi isso Andromon?” perguntou Joe preocupado.
“Eu não sei, meus sensores dizem que alguma coisa invadiu a fábrica. Será possível que...
Não pode ser, é Kingmon!”
“Kingmon?!” perguntaram as 4 crianças ao mesmo tempo.
“Sim, Kingmon é o mais forte dos Guardiões de ChaosPiedmon, e também o mais cruel. Ele costumava patrulhar essa área, me pergunto se essa invasão é apenas coincidência...” respondeu Kentarumon.
Em questão de segundos eles puderam avistar a figura grotesca de Kingmon. Ele era um Digimon semelhante à um cavaleiro humano, com uma coroa uma espada na bainha e um cetro na mão, tinha a pele pálida e os olhos completamente negros. Sua vestimenta era repleta de imagens de cartas de baralho, provavelmente toque pessoal de seu criador.
“Quem diria que eu teria o privilégio de acabar com a Resistência também? Mestre ChaosPiedmon vai ficar muito satisfeito, afinal, ele me mandou aqui apenas para matar os pirralhos.”
A pergunta de Kentarumon tinha acabado de ser respondida. ChaosPiedmon já estava ciente da presença das crianças e já tinha mandado seus assassinos pessoais atrás delas.
“Gabumon, Gomamon, Patamon, Palmon!” gritaram os 4, e os Digimons já estavam preparados e sabiam o que fazer.
Palmon Digivolve para... Togemon! Togemon Superdigivolve para... Lilymon!
Gomamon Digivolve para... Ikakkumon! Ikakkumon Superdigivolve para... Zudomon!
Patamon Digivolve para... Angemon! Angemon Superdigivolve para... Holy Angemon!
Gabumon Megadigivolve para... MetalGarurumon!
“Vamos ajudar também!” gritaram os membros da Resistência.
Falar era mais fácil do que fazer. Kingmon tinha uma velocidade impressionante. Com um único movimento atirou Lilymon em Zudomon e defendeu os golpes de Yukidarumon e Kentarumon. Logo em seguida derrubou Kentarumon e Yukidarumon e entrou numa luta de espada com Leomon, que parecia mais forte do que antes. Andromon e MetalGarurumon foram ajudar e logo Kingmon foi encurralado pelos três.
“Raio da Corte!”
Um disparo de luz tão forte que atirou os três Digimons para trás. Andromon e Leomon caíram desacordados e MetalGarurumon já estava pronto para continuar.
Enquanto isso Lilymon, Zudomon e Holy Angemon se posicionavam atrás do monstro para atacá-lo, infelizmente o mesmo percebeu a estratégia e atacou antes.
“Espada Real!”
A espada de Kingmon chocou no martelo de Zudomon com tanta força que as crianças foram jogadas um pouco para trás. Agora os dois estavam numa disputa de força que não durou muito, pois Lilymon e MetalGarurumon atacaram logo.
“Canhão Flor!”
“Bafo de Lobo!”
Kingmon saiu da disputa com Zudomon e esquivou do canhão de Lilymon, que não atingiu Joe por um triz. Mas não foi ágil o bastante para desviar do golpe de MetalGarurumon, que atingiu em cheio seu ombro direito, congelando-o. Era fato, eles eram muitos para ele. Tinha que separá-los. Mas não era tão simples assim, o grupo parecia ter sido feito sob medida para enfrentá-lo.
“Vamos atirá-lo no Portal do Destino, MetalGarurumon!” gritou Holy Angemon.
A estratégia estava montada. Holy Angemon iria abrir o Portal atrás de Kingmon, Zudomon e Lilymon atacariam pela frente, empurrando o monstro para dentro, e MetalGarurumon seria o elemento surpresa.
“Portal do Destino!”
“Vamos lá, Zudomon!” Gritou Lilymon.
“Martelo Vulcão!”
“Canhão Flor!”
Novamente Kingmon se esquivou dos ataques, mais foi pego de surpresa pela velocidade absurda de MetalGarurumon, que surgiu na sua frente desferindo o que tudo indicava ser o golpe final.
“Míssel Garuru!”
Kingmon tinha sido atirado em direção ao Portal pelo míssel de MetalGarurumon, mas antes que caísse no buraco sem fim...
“Troca de Baralho!”
De repente Kingmon trocou de lugar com Matt, que foi atirado em direção ao Portal. MetalGarurumon conseguiu agarrar Matt a tempo, mas enquanto eles se preocupavam em salvar o garoto Kingmon tentou fugir.
“Você não vai fugir!” gritaram Andromon e Leomon.
“Lâmina Trovão!”
“Punho de Rei das Feras!”
Kingmon estava ferido e não teve agilidade o bastante para escapar dessa vez. Os dois golpes atingiram-no em cheio nas costas, derrubando-o. Logo em seguida Andromon e Leomon seguraram ele para que não pudesse fugir.
“Canhão Flor!”
“Bafo de Lobo!”
“Martelo Vulcão!”
“Soco Gelado!”
“Raio Solar!”
“Bomba Picklemon!”
Os golpes causaram uma grande explosão em Kingmon, que foi destruído imediatamente. Por sorte Leomon e Andromon conseguiram escapar antes. Tudo estava acabado. Kingmon tinha sido derrotado e o objetivo do grupo de Matt havia sido cumprido, agora restavam dois Guardiões.
“Obrigado a todos vocês. Especialmente a você MetalGarurumon, por pouco que eu não entrei naquele Portal.” Agradeceu Matt.
“Eu agradeço que tenham vindo novamente, crianças.” Disse Leomon.
“Sim.” Concordou Andromon “Kingmon era um grande problema, agora creio que a situação nesta área vai melhorar. Mas a batalha ainda não acabou. Sei que nos encontraremos de novo antes da batalha final.”
“Eu tenho certeza que tudo vai dar certo, tenham esperança!” Disse T.K
“Eu concordo com o T.K” começou Mimi “Já conseguimos derrotar o mais forte dos Guardiões, e aposto que Tai e os outros também vão dar conta do recado!”
“Muito bem então, chegou a hora de tomar esse território de volta, Pip!” disse Picklemon.
“Sim, eu e o resto da Resistência iremos cuidar disso.” Disse Andromon “Quanto a vocês crianças, creio que seria melhor voltarem e encontrar seus amigos para ajudá-los a derrotar os outros dois Guardiões, Kingmon foi derrotado, mas não podemos subestimá-los.”
“Tem razão, nós iremos agora!” disse Joe decidido.
E assim as 4 crianças muito satisfeitas com resultado da batalha faziam o caminho de volta para tentar reencontrar os outros. Como será que o grupo de Tai estava se saindo?
Capítulo 11
Seguindo Para o Norte
“Tai, espera um pouco. Eu acho que já passamos por aqui antes.” Repetiu Izzy. De fato, os 4 Digiescolhidos tinham acabado em uma floresta aonde tudo parecia igual e estavam completamente perdidos.
“Você pelo menos tem alguma idéia da onde nós estamos?” perguntou Sora impaciente. Ela tinha estado de mau humor desde que haviam se separado dos outros. Aparentemente ficar longe de Matt era mais difícil do que ela imaginava.
Tai estava a beira de um ataque. As recentes memórias de Sora e Matt rodavam em sua cabeça, e quanto mais a garota falava nele, mais ele pensava nos dois. Como se isso não bastasse, estavam perdidos numa floresta sem água nem comida, e o humor de Sora estava piorando. A situação não podia ficar pior. Ou podia...?
“Não Sora, eu não sei a onde estamos, mais logo logo sairemos dessa floresta, você vai ver.” Enquanto Tai tentava acreditar em suas próprias palavras, Izzy o chamou.
“Tai, Sora, Kari, acho que descobri a onde nós estamos. Se lembram daquele mapa do Digimundo que Genai me mandou?”
Tai e Sora fizeram que sim com a cabeça.
“Pois então, este ponto vermelho mostra a nossa localização. Aparentemente a floresta termina daqui a um dia de caminhada na direção norte.” Revelou Izzy.
“Pois bem, então vamos continuar seguindo para o Norte.” Concluiu Tai.
“Ah que ótimo. Mais um dia inteiro nessa maldita floresta. Se pelo menos o Matt estivesse aqui...” reclamou Sora.
“Ah, lá vai começar. Matt isso, Matt aquilo. Será que você não consegue pensar em outra coisa?!” Tai perdeu o controle. Queria falar tantas coisas para Sora que nem conseguia organizar seu pensamento.
“Olha aqui Tai, eu não to nem aí se você não gosta que eu fale do Matt. Ele é MEU namorado e eu falo dele o quanto eu quiser, ok?!” respondeu Sora no mesmo tom.
“Calma pessoal, não briguem!” tentou acalmar Izzy.
Kari não estava prestando atenção. Desde que tinham entrado na floresta estava com aquela mesma sensação que sentiu no Mundo Real, a sensação das trevas por perto, novamente ela sabia que algo estava errado.
“Não quero nem saber se ele é ou não seu namorado. Não agüento mais ouvir você reclamar, então vê se fica quieta!”
“Tai!” gritou Agumon em tom de desaprovação.
Mas antes que Sora pudesse responder provavelmente no mesmo nível de grosseria Tai não pode agüentar e disse:
“EU TE AMO!”
“Você o quê?!”
“Eu, eu... te amo Sora...”
Sora não tinha palavras. Sempre pensou que a implicância de Tai com ela e Matt fosse por puro prazer de ser chato. Não podia imaginar que ele realmente a amava. Mas então por que ele não disse isso a 3 anos atrás? Por que ele não disse nada para ela, enquanto ela era apaixonada por ele!
“Desculpe Tai. Não vou mais falar do Matt. Mas sua chance comigo já foi, e você sabe disso.”
Sora não disse mais nenhuma palavra até o fim do dia. E as 4 crianças seguiram para o Norte num clima um tanto desagradável. Izzy e Kari tentavam conversar e animar os outros dois. Mais a única coisa que eles faziam era trocar olhares de vez enquanto, e, normalmente, com seus próprios digimons.
Após uma refeição que mal pode ser chamada de ‘jantar’, composta basicamente por frutas pouco saborosas colhidas na floresta e água coletada num riacho próximo, Tai, Sora, Izzy e Kari finalmente chegaram ao fim da floresta. Mas como não sabiam o que viria pela frente, resolveram acampar lá e dormir uma última noite na proteção da grande mata.
No dia seguinte os 4 jovens levantaram cedo e finalmente saíram da floresta.
O terreno a frente era totalmente diferente do anterior. Tinha a aparência de um deserto seco e árido. Altas montanhas podiam ser vistas daquele ponto, sem falar nas várias antenas de rádio espalhadas pelo solo erodido, lembrava o deserto que as crianças atravessaram para chegar ao vilarejo dos Pyokomons quando visitaram o Digimundo pela primeira vez, mais era difícil dizer no estado atual.
O grupo não desanimou e seguiu em frente, todos ali acreditavam plenamente nas orientações de Genai.
Desde que revelou a verdade para Sora, Tai se sentia mais leve. Conseguiu até tirar Sora e Matt de sua cabeça por um tempo e pensar em como os outros estavam indo, e, até, em como eles poderiam enfrentar os Guardiões. Será que eles eram tão fortes como Genai tinha dito?
Medir a força de seu oponente não importava agora, eles tinham primeiro que localizá-lo. O que não parecia uma tarefa nada fácil, ainda mais naquele lugar quente e desolado.
“Bom, parece que saímos de um lugar ruim e viemos parar num pior ainda.” Comentou Kari.
“É verdade, vai ser mais difícil achar comida por aqui. Além do mais, está muito quente, precisamos procurar um abrigo e esperar esse sol passar.” Completou Izzy.
Tai e Sora ainda evitavam se falar, com exceção de diálogos curtos e inevitáveis, como por exemplo, “Bom Dia” ou “Pode me passar esse cantil com água?”. Para resumir a convivência dos dois estava extremamente difícil, e, quem acabava sofrendo as conseqüências eram Izzy e Kari.
“Olha lá pessoal, uma caverna!”
Izzy apontava para a enorme entrada de uma caverna aparentemente abandonada. As crianças de aproximaram.
“Tem razão, podemos esperar o sol baixar um pouco aí dentro!” exclamou Sora.
“É, seria uma boa idéia.” Adicionou Kari.
Tai não disse uma palavra, apenas assentiu e seguiu com os outros para dentro da caverna.
Todos entraram na caverna que estava pouco iluminada. Apenas alguns feixes de luz podiam entrar por algumas frestas e lacunas na pedra que compunha o teto. Ao contrário do que eles pensaram a caverna não era quente. Inclusive, as crianças se arrepiaram ao sentir o clima úmido e gelado do local.
Numa questão de segundos a entrada da caverna se transformou numa parede e os Digiescolhidos se encontraram presos no escuro.
Uma voz assustadora pôde ser ouvida ecoando na caverna.
“Hahaha, criançinhas tolas. Caíram tão fácil na minha armadilha.”
Nesse momento Tai sentiu a mão de Sora apertar a sua com força, e Kari se encostar levemente nele. Ele precisava protegê-las, independente do que acontecesse.
“Quem é você e porque nos prendeu aqui?!” gritou Pyomon.
“Ah mas é claro, perdoem minha falta de educação. Eu sou Queenmon, serva leal do Mestre ChaosPiedmon e uma dos chamados Guardiões.”
“Então ela é uma dos Guardiões.” Pensou Tai. “Temos que acabar com ela agora, não podemos perder essa chance.”
“Izzy” começou Tai. “Eu quero que você tire Kari e Sora daqui, por favor. Cuide delas com sua própria vida.”
“Pode deixar, Tai” replicou Izzy.
“Pera aí Tai, quem você pensa que é pra ir nos dando ordens?” disse Sora brava, enquanto largava a mão de Tai.
“É isso mesmo maninho. Nós vamos ficar e lutar. Afinal, é para isso que viemos, nós vamos salvar o Digimundo!” acrescentou Kari.
“Ah é claro que vão. Palavras muito comoventes para um bando de pirralhos. Vamos ver qual de vocês morre mais rápido.”
“Maldição da Rainha”
O golpe de Queenmon era uma enorme bola de energia que foi atirada na direção das crianças.
“Kari!” gritou Tailmon.
Tailmon Superdigivolve para... Angewomon!
“Flecha Celestial!”
A luz produzida pelo choque dos dois golpes extremamente poderosos refletiu em toda caverna, iluminando-a por completo.
“Vamos acabar com ela!” gritou Agumon.
“É isso aí!” completou Tentomon.
“Sora, eu vou te proteger!” exclamou Pyomon
Agumon Megadigivolve para... WarGreymon!
Tentomon Digivolve para... Kabuterimon! Kabuterimon Superdigivolve para...AtlurKabuterimon!
Pyomon Digivolve para... Birdramon! Birdramon Superdigivolve para... Garudamon!
Garudamon e AtlurKabuterimon quebraram o teto da caverna e saíram voando, levando os 4 Digiescolhidos, e foram seguidos por WarGreymon e Angewomon. Era mais fácil para eles lutar fora da caverna afinal lá podiam ao menos enxergar o inimigo.
Logo depois deles, veio Queenmon, e, agora que podia ser vista, as crianças ficaram com mais medo ainda da Digimon. Ela parecia resultado do cruzamento da uma mulher com um vestido de luxo e um demônio. Seu vestido era repleto de imagens de cartas de baralho, novamente um toque pessoal de ChaosPiedmon. Seu cabelo era negro e seboso, as mãos, que mais pareciam garras, portavam um espelho e uma faca, aparentemente muito afiada.
“Assim é melhor mesmo. Pelo menos aqui fora vocês podem apreciar minha beleza.”
Por mais que a situação estivesse tensa Tai não conseguiu segurar uma risada. Era hilário que aquela coisa se considerasse bonita.
“Ah, então você vai rir de mim não é? Vamos ver quem vai se divertir com isso!”
“Chuva de Facas!”
“Tai cuidado!” gritou WarGreymon.
“Escudo da Coragem!”
WarGreymon defendeu as facas com o escudo e contra atacou. Os outros também desferiram seus golpes.
“Força da Terra!”
“Espada Alada!”
“Chifre Colossal!”
“Flecha Celestial!”
Sem demonstrar nenhuma preocupação Queenmon apenas levantou seu espelho, e gritou.
“Reflexo da Rainha!”
O que parecia ser uma parede transparente em forma de bolha cercou Queenmon, protegendo-a de todos os golpes, e pior, refletindo eles de volta para as crianças.
“Cuidado, nós vamos ser atingidos!” gritou WarGreymon.
Mas antes que qualquer um deles pudesse reagir os golpes explodiram na frente deles, causando um grande clarão. Tai não pensou duas vezes e pulou para proteger Sora e Kari das pedras que haviam voado devido à explosão.
Quando a poeira baixou a cena vista não era nada favorável para as crianças. Tai caído no chão sobre Sora e Kari, e Izzy caído um pouco ao lado deles. Os digimons, também feridos, estavam caídos em frente às crianças e, por sorte, absorveram a maior parte da energia, pois, do contrário, nenhuma das crianças teria sobrevivido ao golpe.
“Hahaha, insetos. É assim que deve ser. Curvem-se para Sua Majestade!” vociferou Queenmon.
“Droga, isso não é possível. Ela refletiu todos os golpes. Eu imaginei que eles eram fortes, mas não invencíveis!” disse Tai.
Tai estava certo, a situação ia de mal a pior. Se continuasse assim eles seriam derrotados facilmente.
“Kari... tenha esperança!” gritou Angewomon.
“Sim! Eu sei que podemos ganhar! Vamos lá pessoal!” respondeu Kari.
“É, não passamos por tudo isso para desistir agora!” completou Sora.
“Precisamos acabar com esse espelho na mão dela. Aparentemente é isso que ela usa para refletir os golpes.” Disse Izzy.
“Sim, mas nenhum golpe a distância ira funcionar. Precisamos de uma distração.” Adicionou AtlurKabuterimon.
“Sora, Kari, Izzy. Quero que vocês ataquem com tudo que tem em cima dela! WarGreymon e eu iremos por trás e tiraremos o escudo dela. Se tudo der certo, vamos desferir o golpe final e acabar com ela de uma vez por todas!”
“Sem querer atrapalhar a reuniãozinha dos fracassados, mais uma rainha tem seus compromissos. Se me dão licença, vou matar vocês de uma vez.”
“Isso é o que veremos, Queenmon!” disse Garudamon.
“Maldição da Rainha!”
Novamente a bola de energia produzida por Queenmon veio em direção aos 3 Digimons, enquanto isso Tai e WarGreymon aproveitavam a distração da batalha para atacar Queenmon de surpresa.
“Recado Divino!”
“Espada Alada!”
“Chifre Colossal!”
E mais uma vez um incrível choque de poderes que iluminou plenamente a arena. Como dessa vez eram 4 golpes o brilho foi maior ainda, o que possibilitou que Tai e WarGreymon avançassem sem serem percebidos e que tomassem o espelho da mão de Queenmon.
“Nããooo! Com ousam tirar o espelho de uma dama?! Todos vocês iram pagar por isso!” amaldiçoou Queenmon.
“Não, é você quem vai ser destruída!”
“Tornado da Bravura!”
Não restava nada a fazer, a distância entre os dois era pequena demais para que Queenmon conseguisse se esquivar, e defender o golpe com o espelho estava fora de opção. E assim, mais um dos Guardiões foi derrotado.
“Ebaa! Nós conseguimos!” Sora e Kari gritavam de alegria.
“Nossa, essa foi por um triz. Aquele espelho era realmente perigoso!” comentou Izzy.
“Todos fizeram um ótimo trabalho, parabéns!” gritou Tai. “Então esse é o nível de luta deles. Se essa é a força de uma criação de ChaosPiedmon, não tenho certeza se poderemos derrotá-lo.” Pensou Tai. Mas esses pensamentos logo foram esquecidos e sua mente se voltou para o presente.
“Tai, obrigado por nos proteger àquela hora... Foi muito gentil da sua parte...” Sora parecia envergonhada.
“Hehe, não foi nada.” Respondeu Tai encabulado.
“É, muito obrigada maninho. Acho que você é um cavaleiro afinal.” Disse Kari.
“Ah, vê se não me enche.” Replicou Tai. Ele estava tão feliz que preferiu ignorar as brincadeiras de Kari. Apenas o fato de falar com Sora novamente já melhorava e muito seu humor.
Mas ao mesmo tempo em que as crianças estavam animadas pela vitória eles pensavam na situação de seus amigos, que poderiam estar enfrentando inimigos como esse que haviam derrotado no exato momento. Será que foi a decisão mais esperta deixar os novatos sozinhos?
Tai se preocupava com os outros. Sora pensava em Matt. Izzy procurava o melhor caminho de volta e Kari tinha finalmente se livrado- temporariamente- da sensação que vinha incomodando-a.
Capítulo 12
Em Direção ao Oeste
“Davis eu to com fome!” já era a quinta vez que Veemon repetia a mesma frase. O fato é que nenhum deles tinha experiência alguma em depender do Digimundo para sobreviver, afinal, eles estavam acostumados a transitar livremente entre os dois mundos, saindo, normalmente, para pegar comida e outros suprimentos em geral. Além do mais nenhum deles conhecia aquela área, logo, era impossível saber onde conseguir qualquer tipo de comida.
“Eu sei Veemon, nós vamos achar alguma coisa pra você comer, só espera mais um tempinho.”
“Mais eu já esperei muito tempo, Davis!” reclamou Veemon.
“Olha aqui Veemon, vê se da um tempo. Todos estamos com fome, mais temos que achar primeiro um lugar para acampar!” Armadillomon não costumava ser rude, mas a mistura de um Veemon chato e pouca comida no estômago pode mudar o humor de um Digimon facilmente.
“O problema é onde vamos acampar. Parece que essas montanhas não têm fim!” acrescentou Yoli.
“Deixa comigo Yoli, eu vou dar uma olhada por aí e ver se acho algum lugar bom para descansarmos.” Disse Hawkmon.
“Ok, obrigada Hawkmon! Nós vamos esperar aqui.”
Mas antes que Hawkmon fosse embora.
“Ei pessoal, vocês estão vendo aquelas luzes ali? Disse Ken, que tinha se mantido calado por todo percurso.
“Ihh, é verdade, eu to vendo sim.” Respondeu Davis.
“Eu também estou, o que será que é?” Questionou Cody.
“Só tem um jeito de saber, vamos lá!”
Seguidos por Davis os Digiescolhidos desceram o mais rápido que podiam a encosta da montanha. Já faziam 3 dias desde que tinham se separado dos outros e acabado nesse fim de mundo. A noite já caía sobre eles e não tinham nada além de pedras e rochas por perto.
“Olhem, as luzes estão se aproximando.” Disse Yoli.
Na verdade eram eles que chegavam mais perto, e, ao passo que antes eram enormes pontos de luz, agora os estranhos objetos emitiam uma luz menor, porém com um brilho mais intenso.
“Isso é...”
“Não pode ser!”
“São nossos brasões!” falaram os 4 ao mesmo tempo.
E ao se aproximarem o bastante a ponto de poder tocar os objetos, os brasões brilharam mais forte do que antes e em forma de energia “entraram” no peito de cada um deles.
“Nossa, o que foi isso? Aquela luz entrou em mim, e eu senti um calor diferente de tudo que já senti.” Disse Ken.
Pela expressão de todos, o sentimento era mútuo, a questão é que nenhum deles sabia o que tinha acontecido.
“Zzztttzz, zzzttzz”
Lá estava o holograma de Genai na frente das 4 crianças.
“Muito bem Digiescolhidos, eu sabia que achariam os brasões. Deixe-me esclarecer o que ocorreu. Os seus brasões já são mais aperfeiçoados que os antigos, e já se fundiram diretamente com vocês, de modo que, como os antigos Digiescolhidos, vocês agora tem o poder para avançar seus Digimons para a terceira forma. Mais isso não é tudo. Os brasões só vão ser ativados no momento em que o usuário provar que é merecedor deles.” Todos escutavam com atenção.
“Davis, o seu brasão é o brasão da Determinação.”
“Você ouviu isso Veemon? Nós temos o brasão da Determinação! Isso é o máximo!”
“Ken, como você já deve saber, o seu brasão é o brasão da Bondade.”
Ken pareceu não reagir.
“Yoli, o seu brasão é o brasão do Entusiasmo.”
“Ah, mas que bom! Eu sempre fui muito entusiasmada mesmo né, Hawkmon?”
“Se entusiasmada quer dizer louca você é bastante sim...” respondeu Hawkmon mau-humorado.
“E por fim, Cody, seu brasão é o brasão da Verdade.”
“A Verdade...” pensou Cody “Então esse é o meu brasão. Acho que estou feliz, eu sempre tive muitos problemas em mentir mesmo... E meu vô sempre me disse que a verdade é a maior virtude de uma pessoa.”
“Espero que tenha esclarecido as suas dúvidas. Não tenho mais tempo a perder. Adeus Digiescolhidos!”
E como de costume o holograma de Genai sumiu deixando dúvidas e inquietação no ar.
“Ok, agora que temos os brasões, o que devemos fazer?” perguntou Yoli.
“Vamos continuar seguindo para o oeste. É o que combinamos com Tai e os outros. Nosso principal objetivo é derrotar os Guardiões.” Explicou Ken.
“Vocês podem ter conseguido os brasões. Mais eu ainda to com fome!”
“Tem razão, Veemon. Nós estávamos procurando um lugar para acampar...” lembrou Davis.
“Galera, eu acho que aqui é um ótimo lugar.” Disse Yoli.
Na verdade, os 4 Digiescolhidos mal tinham olhado o lugar a sua volta pois estavam muito interessados nos brasões. Mas agora que tinham parado para prestar atenção o local era muito mais aconchegante do que a montanha da qual tinham descido. O solo era plano e macio. Perceberam depois, que tinham entrado numa região de longos campos cheios de grama e pequenos arbustos. Além disso, o local era relativamente seguro, pois era oculto pela sombra da montanha.
Estava decidido, iam acampar lá.
Conforme Davis e Ken montaram com grande dificuldade as barracas que Yoli trouxe em sua mochila. Cody e Yoli procuravam por qualquer coisa comestível na região. As duas tarefas exigiam muito das crianças famintas, porém depois de algum tempo estava tudo pronto.
“Ah isso ta muito bom!!” falou Veemon com a boca cheia.
“Que bom que você gostou, pode comer o quanto quiser Veemon!” respondeu Davis, também de boca cheia.
Ainda bem que Yoli e Cody conseguiram pegar vários peixes. Na verdade, Hawkmon e Armadillomon foram de grande ajuda. Depois disso, a fogueira foi acessa com muita dificuldade por Veemon, que não tinha muita habilidade com fósforos. Foi uma cena um tanto irônica, considerando que ele já havia sido um Digimon do fogo.
“Vamos terminar de comer e ir dormir. Temos um dia cheio amanhã. Se tudo der certo, acharemos e destruiremos esses Digimaus.”
Todos se surpreenderam com a fala de Cody. A palavra “destruir” raramente constava em seu vocabulário, mais estava claro que ele finalmente tinha crescido e aprendido a diferença entre o que é bom e o que é ruim.
Depois do jantar os Digiescolhidos decidiram dormir.
“Olha só tem duas barracas, como nós vamos dividir em?” perguntou Davis.
“Eu que não vou dormir com vocês!” disse Yoli.
“Bom então você pode dormir no chão fora da barraca, por mim tudo bem.” Retrucou Davis.
“Olha só, porque a Yoli não dorme com os Digimons em uma só barraca e nós dormimos na outra em pessoal?” a idéia de Cody era a mais viável. E assim ficou decidido.
“Boa noite Yoli, boa noite Digimons.” Disseram os 3 garotos.
Davis, Cody e Ken entraram em sua barraca. Ken e Cody se deitaram um de cada lado, deixando um espaço no meio para Davis, que, para espanto dos dois, começou a tirar a roupa até ficar só de cueca. Quando estava a ponto de tirá-la.
“O quê diabos você está fazendo Davis?!” perguntou Ken assustado. Cody mantinha a expressão de espanto.
“Ué, estou ponto meu pijama oras. Qual o problema, nunca viram outro garoto sem roupa?” retrucou Davis enquanto tirava seu pijama de sua mochila.
“Pijama?” começou Ken “Que tipo de pessoa traz um pijama para o Digimundo? Não viemos aqui de férias.”
“Eu sei que não, mas eu gosto de dormir com ‘as coisas soltas’ se é que você me entende.”
“Davis, por favor, guarde certas coisas para você.”
E assim os 2 garotos dormiram, por mais que relutantes, do lado de um Davis de pijama de ursinho. Para piorar ainda mais, ele começou a roncar.
Foi uma noite longa. Davis, Cody e Ken acordaram e saíram da barraca. O dia amanheceu quente e agradável. Um clima como aquele era realmente raro considerando a situação atual do Digimundo. Mas os Digiescolhidos preferiram deixar para lá, e prestar atenção no que realmente importava.
Mas onde estavam Yoli e os Digimons? A barraca deles tinha sumido também. Mas por algum motivo nenhum dos 3 garotos achou isso estranho. Pelo contrário, eles nem perceberam.
Ken sentia uma sensação de que alguma coisa estava estranha. Mas preferiu guardar para si mesmo. Conforme os três andavam sem saber por que o cenário ia cada vez ficando mais exótico. Eles começaram a ver imagens coloridas e de várias formas, que lembravam a dimensão de Malon Myotismon. Por que estavam andando? Nem mesmo eles poderiam dizer, só tinham o desejo de continuar seguindo em frente. Do nada Cody parou e falou “Vamos tomar um banho?” a idéia parecia absurda para qualquer um que visse a cena, mais para os 2 ouvintes aquilo foi totalmente normal. Os dois assentiram e seguiram Cody, que, por alguma razão caminhou para outro lado. E alguns passos a frente os 3 encontraram uma casa de Termas. Os 3 garotos, que pareciam dopados, sequer perceberam o quão absurdo era aquela situação. Primeiro eles não sentem falta de nenhum de seus companheiros, depois começam a andar e resolvem tomar um banho, e, coincidentemente existe uma Casa de Termas alguns passos daquele local! Era absurdo demais, até para um bebê. Mas por alguma razão, naquele momento, nenhum deles percebia isso.
Os garotos começaram então a tirar a roupa para entrar nas águas quentes da Casa de Termas, que parecia deserta. Mas ao ver a cena de Davis tirando a roupa Ken se lembrou da noite passada, e notou que Davis tinha acordado com sua roupa normal. Isso não era possível. Nada daquilo era. O que estava acontecendo?!
“Davis, você não está de pijama!” ele olhou para Davis que apresentava problemas para tirar sua camisa.
“E Cody, por que você resolveu tomar um banho assim de repente, e, do nada, surgiu uma casa de Termas?!” Cody parecia estar em transe.
“Será que vocês não percebem?! Isso não pode ser real!” gritou Ken com toda sua força.
“Vee Cabeçada!”
“Tiro de Seda!”
As vozes conhecidas de Wormmon e Veemon ecoaram dentro da cabeça dos três garotos.
“Hahaha, parabéns Digimons. Parece que vocês descobriram meu plano.” Aquela voz tenebrosa vinha de algum lugar. Ken estava confuso, o que estava acontecendo?!
“Kenzinho, você esta bem?” esse era Wormmon, pelo menos isso ele sabia.
“Estou sim Wormmon, o que está acontecendo aqui?” perguntou Ken perturbado.
“Nós estávamos dormindo e escutamos um barulho vindo daqui. Levantamos para ver se era alguma coisa e encontramos ele aqui.” Veemon explicou enquanto tentava acordar Davis. Ao dizer ‘ele’, Veemon apontou para uma grande sombra dentro da barraca semi-escura, que, aparentemente podia ter estado oculta lá por dias sem ser percebida.
“Muito bem, muito bem. Vocês conseguiram escapar do meu Pesadelo Sombrio. Que pena para vocês, a maioria dos inimigos do Mestre preferem morrer enquanto dormem, afinal, assim eles não sentem dor.” Jackmon emitiu uma risada diabólica ao terminar a frase e rasgou a parede da barraca, pulando para fora dela.
Agora Ken tinha uma visão perfeita do Digimon sob o luar. De fato a noite ainda nem tinha passado, eles estavam presos em uma espécie de ilusão, ou melhor, um pesadelo criado pelo Digimau.
Ken não pensou duas vezes e acordou Cody e Davis gritando com toda sua força.
Os dois garotos acordaram tão assustados quanto ele próprio.
“O que foi isso Ken?” perguntou Davis alarmado.
“O que está acontecendo?” questionou Cody.
“Permitam-me explicar.” O Digimau usava um tom sutil que não fazia jus a sua imagem peçonhenta. “Primeiramente, eu tenho observado vocês a algum tempo, segundo as ordens do Mestre ChaosPiedmon.” Todos fizeram uma expressão de medo. Será que ele era um dos Guardiões?
“Sim, eu sou um dos Guardiões dos quais vocês estão atrás. Tenho receio em dizer isso, mais sou o mais fraco deles. Quando vi vocês com os brasões finalmente bolei meu plano de ataque e esperei vocês dormirem. Enquanto dormiam resolvi matar primeiro vocês 3, e usei minha técnica para introduzir vocês na minha ilusão enquanto dormiam. De fato admito que errei ao esquecer de adicionar esse pijama ridículo no garoto do meio.” Jackmon apontou para Davis. “Mas, de qualquer forma, isso não importa. Vocês poderiam ter morrido sem sofrer entrando naquela água envenenada, agora não tenho escolha. Preparem-se, sou Jackmon e vim matar todos vocês!”
Jackmon tinha a aparência de um nobre daqueles que se vê em filmes antigos. Com excessão de uma onda sombria que flutuava em volta dele e do que pareciam ser moscas rondando seu corpo, ele parecia um ser humano. O Digimau então partiu para o ataque.
“Espectro da Guarda!”
Pequenos fragmentos da onda que o cercava se soltaram e foram atirados magicamente em direção as crianças. Conforme os fragmentos se afastavam de Jackmon eles aumentavam de tamanho.
“Davis!”
“Ken!”
Veemon Digivolve para... Ex-Veemon!
Wormmon Digivolve para... Stingmon!
Os dois Digimons se posicionaram em frente aos três garotos.
“Corte Duplo!”
“Ferroada Final!”
Os golpes ricochetearam no ar, mas o poder de Jackmon era maior e a energia que sobrou continuou a avançar até derrubar os dois Digimons.
“Amigos, vocês estão bem?!” Era Yoli que vinha correndo com Armadillomon e Hawkmon ao seu lado.
Armadillomon Digivolve para... Anquilomon!
Hawkmon Digivolve para... Aquilamon!
“Yoli!” gritaram os três. “Esse é Jackmon, ele é um dos Guardiões de Piedmon! Cuidado, ele é muito poderoso!”
“Ah mais que fofinho, chegou mais uma que quer morrer. Por mim tanto faz, assim será mais divertido!”
“Espectro da Guarda!”
“Ken, Digievolução de DNA!” gritou Davis.
“Certo! Vamos lá!” respondeu Ken.
Veemon e Wormmon Digivolvem para...
“Não funcionou!” gritou Ken.
“Deve ser porque o Anel de Tailmon foi sacrificado para abrir o Portal, o Genai tinha dito que era ele que possibilitava a Digievolução de DNA!” respondeu Cody.
E todos Digimons foram jogados no chão novamente. Se continuasse assim eles iriam perder feio.
“O que vamos fazer agora?” perguntou Ken.
“Nós não... não podemos desistir!” gritou Davis.
“Nós protegeremos a todos!” gritou Yoli.
“Eu acredito em todos vocês!” gritou Cody.
“As forças das Trevas não vão vencer!” gritou Ken.
E conforme as 4 crianças expressavam seus sentimentos cada um dos brasões brilhou no peito deles. Primeiro, uma luz vermelho fogo surgiu tão forte no peito de Davis que ele pensou que fosse queimar sua camisa. O símbolo da Determinação iluminava a noite.
Ex-Veemon Superdigivolve para... Max-Veemon!
Depois uma luz amarela ofuscou a visão de todos.
Aquilamon Superdigivolve para... WarHawkmon!
Era a vez de a forte luz bege clara tomar seu lugar na noite.
Anquilomon Superdigivolve para... MetalEarthmon!
E por fim uma luz branca superou todas as outras.
Stingmon Superdigivolve para... Needlemon!
Cada um dos novos digimons era mais incrível que o outro. Max-Veemon agora era no mínimo 3 vezes maior que Ex-Veemon e tinha assumido a forma de um enorme dragão azul com o símbolo da Determinação do Peito.
WarHawkmon lembrava um humano com um bico e o corpo cheio de penas. Na cintura usava um cinto de ouro que carregava duas espadas. Tinha garras de águia no lugar das mãos e pés, e, nos “braços” tinha asas que lembravam morcegos, porém com penas.
MetalEarthmon lembrava a forma anterior, com um pequeno detalhe, era completamente revestido por Cromo Digizóide, o metal mais forte do Digimundo, aquele mesmo que constitui o martelo de Zudomon. Além disso, ele tinha crescido ainda mais e tinha três rabos com uma rocha cheia de espinhos na ponta, no lugar de apenas um.
Needlemon por sua vez tinha se tornado de ouro, além de ganhar um corpo maior e mais forte. Ao invés de possuir apenas um ferrão em seu braço ele possuía agora um em cada braço. E tinha também antenas capazes de emitir uma onda que confundia o oponente.
“Eles...”
“... avançaram...”
“... para a...”
“... terceira fase!”
Disseram os 4 Digiescolhidos impressionados com o poder de seus brasões e as incríveis novas formas de seus companheiros Digimons.
“Ah acho que eu vou vomitar. Já terminaram seu teatrinho? Pouco importa quantas vezes vocês fiquem mais feios, não podem me derrotar.” Disse Jackmon sarcasticamente.
“Isso é o que veremos!” replicou Davis.
“Vamos acabar com ele!” adicionou Ken.
“Bons sonhos seus pestinhas!”
“Pesadelo Sombrio”
“Afastem-se, isso aqui vai ficar perigoso!” gritou WarHawkmon.
“Corte Aéreo!”
“Fissura!”
“Bafo de Dragão!”
“Flecha Venenosa!”
E assim os ataques dos quatro Digimons agora na forma Suprema destruíram completamente o inimigo. Mal sabiam os Digiescolhidos que todos Guardiões de Piedmon tinham sido destruídos.
“Valeu Max-Veemon!” exclamou Davis dando pulos de alegria.
“Vocês foram o máximo!” gritou Yoli empolgada.
“Obrigado a todos.” Disse Cody com seu humor mais reservado.
“Não temos tempo a perder, vamos voltar e nos juntar aos outros. Provavelmente eles precisarão de ajuda para enfrentar os outros Guardiões.” Disse Ken, que nem pareceu feliz com a vitória. De qualquer forma ele estava certo, eles podiam não saber, mais a batalha final estava cada vez mais próxima. E, quando a hora chegasse, eles precisariam do poder dos 12 para enfrentar ChaosPiedmon.
Capítulo 13
A Batalha Final
“Ahh, malditos Digiescolhidos! Como ousam?! Como ousam destruir minhas perfeitas criações? Eles vão pagar, ah sim eles vão. Vão todos MORRER!” A fúria de ChaosPiedmon podia ser vista a distância. A Montanha Espiral emitia o ódio dele por meio de Trevas, espalhando-o por todo Digimundo. “Não tem importância. Aqueles três eram uns inúteis, não mereciam servir a mim! Se eu seguir com o plano, tudo dará certo. Sim, com certeza, eu só preciso seguir o plano e, em pouco tempo, todos eles serão destruídos!”
Mas qual era o plano de ChaosPiedmon? Ninguém sabia o que ele estava tramando, mas, no momento, cada um dos grupos seguia de volta ao ponto de partida, na esperança de reencontrar seus amigos.
“A escuridão que assola o Digimundo está ficando mais forte. A Montanha Espiral está emanando uma energia das Trevas tão forte como eu nunca senti antes, a não ser naquele lugar...” Kari sabia qual era o lugar a que Angewomon se referia, o Mar das Trevas de Dragomon. Mas, no momento, ela não tinha tempo para isso, eles tinham que encontrar os outros, e depressa.
“Sim, nós podemos sentir também.” Disse Garudamon.
“Vamos mais rápido então!” disse Tai.
“Tai, segure-se.” Disse WarGreymon.
E então os 4 Digiescolhidos seguiram em seus Digimons para o Sul, fazendo o caminho de volta.
“Maninho, quanto tempo você acha que falta até lá?” perguntou T.K impaciente. Ele não queria demonstrar, mais estava preocupado com Kari e, por algum motivo que não podia explicar, estava muito preocupado com Davis. Desde que se conheceram, os dois nunca tinham sido muito chegados, aliás, pode-se dizer que suas personalidades eram totalmente diferentes, mas ultimamente T.K tinha sentido um carinho diferente por Davis, talvez, assim como aconteceu com Tai e Matt, eles finalmente tivessem se entendido.
“Eu não sei T.K, provavelmente chegaremos lá a noite.” Respondeu Matt gentilmente.
“Temos que ir o mais rápido possível!” disse Mimi, que estava com Joe nas costas de Zudomon.
“Desculpe não poder te levar comigo Mimi!” disse Lilymon.
“Não tem problema, eu gosto de você do jeito que você é!” Lilymon ficou vermelha.
“Vamos mais rápido.” Disse MetalGarurumon acelerando. Ele foi seguido com dificuldade por Holy Angemon, Zudomon e Lilymon.
“Tem certeza que não está cansado, Max-Veemon?” perguntou Davis preocupado.
“Não tem problema Davis, eu posso agüentar muito mais que isso.” Respondeu Max-Veemon orgulhoso. Nesse momento os 4 Digiescolhidos do grupo de Davis estavam montados em Max-Veemon com seus respectivos Digimons. Eles avaliaram que essa seria a forma mais rápida de atravessar a montanha, além do mais, poderiam economizar a energia de outros digimons para uma eventual batalha com os Guardiões.
“Olhem! Estamos finalmente saindo das montanhas.” Cody apontava para o horizonte aonde, de fato, terminava a enorme região montanhosa e começava a floresta mais aberta, da onde os grupos tinham saído. Mais longe ainda, eles puderam avistar pequenos pontos se dirigindo para o mesmo local, um vindo de cada direção. Não restavam dúvidas, só podiam ser os outros grupos.
“Finalmente chegamos! Olhe lá gente, os outros estão vindo também.” Disse Sora.
Assim como o grupo de Davis, o grupo da Tai também avistava alguns pontinhos se movendo para a floresta, mais eles estavam mais perto do que os outros, e resolveram esperar dentro da floresta.
Tai e seu grupo se acomodaram no mesmo local que tinha servido como acampamento para eles dias antes. Agora era só aguardar os outros. A cabeça de Tai não parava de rodar com pensamentos sobre os outros, sobre os Guardiões, sobre ChaosPiedmon e, principalmente, sobre Sora e Matt.
“Bravo bravo, realmente impressionante. Mas, afinal, não é nada que não fosse esperado dos tão famosos Digiescolhidos.” A voz. Aquela voz era... Não, não podia ser. Mais ao se virar o pesadelo de Tai se concretizou. Era ChaosPiedmon.
“O que foi? Parece até que não estão felizes em me ver. Ah vamos lá, já faz muito tempo! Olha como vocês cresceram”. Mais ei, me digam, onde estão os outros pirralhos? Ou eles ficaram com medo e fugiram de volta para o seu mundinho medíocre?”
Nenhuma das crianças podia falar. A simples presença de ChaosPiedmon era assustadora, e despertava um ódio e uma repulsa tão grande em todos presentes que eles mal encontravam palavras para usar.
“Poxa, eu esperava uma recepção mais calorosa. Por favor, EU INSISTO!”
“Coringa Maldito!”
Todos Digimons foram ao chão e voltaram à fase criança no momento em que foram atingidos pela onda de Trevas liberada por ChaosPiedmon.
“Só isso? Eu devo dizer que esperava mais. Vamos lá, onde está todo aquele papo sobre amor e amizade?” ChaosPiedmon se dirigia agora à Tai. “Você é o líder certo? Onde está seu namoradinho e o cachorrinho dele? Se me lembro bem vocês eram inseparáveis! Hahaha, desprezível.” ChaosPiedmon tinha chutado Tai, que caiu no chão sem ar. Nenhum dos Digimons podia fazer nada, muito menos as outras crianças. Eles teriam que agüentar até que os outros chegassem.
Então ChaosPiedmon fez o impensável. Agarrou Tai pela camisa e disse “Hum, o brasão da Coragem em? Vamos ver o quão digno dele você é! Hahaha!” Mas antes que pudesse continuar, o grupo de Matt chegou.
“Diga olá para o cachorrinho!” gritou Matt.
“Bafo de Lobo!”
“Canhão Flor!”
“Humpf. Insignificante.” Zombou ChaosPiedmon.
“Feitiço Final”
Os dois golpes foram rechaçados e ChaosPiedmon sumiu em pleno ar, levando Tai. Deixando as crianças e os Digimons ali, derrotados e sem esperança.
“Tai! TAI!” gritava Matt inutilmente.
“Oi pessoal, nós chegamos!” Era o grupo de Davis, mais nenhum deles deu atenção.
“Espera aí, que caras são essas? O que aconteceu aqui?” o grupo deu uma olhada ao redor e o cenário de luta ficou claro. Agumon encontrava-se caído, junto com Pyomon, Tentomon e Tailmon. Sora estava abaixada chorando baixo, com Matt consolando-a. Kari estava imóvel e Davis pôde ver T.K correndo em direção a ela. Com certeza alguma coisa tinha acontecido. Espera um momento, onde estava Tai?!
“Joe, o que aconteceu aqui?!” perguntou Ken para Joe que parecia o menos perdido.
“Ele... ele nos atacou. Não tivemos tempo, nós... nós não chegamos a tempo! ELE LEVOU TAI!”
Só aquilo bastava, agora os 4 que tinham acabado de chegar entraram também em desespero. O que eles iriam fazer sem Tai? Ele era o líder, o comandante, ele era aquele que inspirava os outros a ir em frente... Não, eles não tinham chance, estavam acabados.
“Pessoal, eu acho que descobri a localização de ChaosPiedmon. Ele voltou para a Montanha Espiral. Ainda bem que eu pude localizar eles pelo Digivice de Tai.”
“Mas é impossível derrotar ChaosPiedmon!” gritou Mimi.
“Tem razão, eu acho que nós deveríamos parar e bolar um plano. O que você acha, Kari?” concordou Izzy.
Kari ainda mantinha a mesma expressão. Ela estava aterrorizada. Nunca havia passado pela sua cabeça que uma coisa daquelas poderia acontecer. Tai, o mais forte, o mais destemido, o líder do grupo, SEU IRMÃO, o irmão que ela tanto amava, que sempre cuidou dela... Como ela podia sentar e não fazer nada?!
“Não me importa o que vocês acham. Eu vou até a Montanha Espiral, e derrotarei ChaosPiedmon quantas vezes forem necessárias para salvar Tai.”
“E eu irei aonde você for!” assentiu Tailmon que se levantava pronta para a briga.
Ninguém nunca tinha visto Kari assim. Aquela expressão gentil e suave que ela mantia sempre tinha desaparecido por completo, para dar lugar a um olhar de ódio. Kari tinha sido dominada pela vingança.
“Kari...” começou T.K
“Não T.K. Não tente me impedir. Seria perda de tempo. Eu vou resgatar o meu irmão de qualquer forma!”
“Você não me deixou terminar. Eu ia dizer que vou com você até o fim do mundo se você quiser. Por que... eu te amo.”
Todos Digiescolhidos olhavam para a cena perplexos, principalmente Davis, que estava a ponto de explodir de ciúmes.
“Você... me ama? Desculpa T.K, mais tem muita coisa na minha cabeça agora. Não posso pensar nisso nesse momento.”
“Tudo bem. Eu só queria que você soubesse que eu estou aqui.” E os dois se abraçaram. Nem mesmo Matt sabia da paixão de seu irmão, mas, como Kari mesma disse, não era o momento para discutir isso. Eles tinham que salvar Tai.
“Eu também falo pela Sora quando digo que vamos trazê-lo de volta custe o que custar.” Disse Matt.
“Nós também vamos ajudar. Não importa o quão forte aquele monstro é!” disse Izzy.
“Está decidido! Nós vamos para a Montanha Espiral, salvar Tai e derrotar ChaosPiedmon!” gritou Davis que foi apoiado pelo restante.
“Tai... Tai, me desculpe...” os gemidos eram de Agumon. Ninguém ali estava sofrendo como ele. A dor que ele sentia, era como se ele estivesse ligado ao Tai e sofresse como ele. Era insuportável saber que falhou com seu parceiro, e pior, que agora, não passava de peso morto.
“Agumon! Vem cá Agumon, vai dar tudo certo. Nós vamos salvá-lo, você vai ver...” Kari abraçou Agumon e soltou lágrimas de tristeza.
“Pessoal nós temos que ter um plano. Eu acho que o melhor a fazer seria deixar Matt E Sora salvar o Tai enquanto nós distraímos ChaosPiedmon. Não podemos derrotá-lo mais podemos ganhar tempo. Talvez com WarGreymon e MetalGarurumon lutando juntos nós possamos vencer...” Disse Izzy.
“Mas eu também quero ajudar a salvá-lo!” gritou Kari.
“Eu sei Kari, mas nós precisamos de Angewomon conosco para ter alguma chance de segurar ChaosPiedmon, você vai ajudar o Tai da mesma forma, assim como o resto de nós. Explicou Izzy.
Ninguém mostrou sinal algum de objeção a idéia de Izzy. Com certeza era um bom plano, mas todos tinham suas dúvidas quando a parte de segurar ChaosPiedmon, ele parecia invencível.
Gabumon Megadigivolve para... MetalGarurumon!
Matt, Sora, Pyomon e Agumon subiram no grande lobo de metal.
“O que estamos esperando? Vamos logo!” Matt estava perturbado. A idéia de perder Tai não fazia bem a nenhum deles, mais, de alguma forma, mexia mais com o garoto. “O Tai sempre... sempre acreditou em mim! Mesmo quando todos me viraram as costas, ele não parou de acreditar em mim! Eu vou salvá-lo de qualquer jeito!” Aquelas palavras bastaram. Todos os outros evoluíram seus Digimons e eles se prepararam para a partida.
“Não tão rápido, Pip!” era Picklemon com sua voz calma e divertida de sempre.
“Fale logo o que você quer, nós não temos tempo para conversa fiada.” Matt foi curto e grosso.
“Calma Matt!” disse Sora tentando acalmar o garoto “Aposto que ele veio falar alguma coisa importante.”
Assim como Picklemon, um a um os membros da Resistência foram saindo dos arbustos e árvores que cobriam a floresta.
“Nós também vamos ajudar.” Disse Andromon.
“Eu disse que nos encontraríamos para a batalha final.” Completou Leomon.
“Não.” respondeu Izzy. “É perigoso demais para vocês, ChaosPiedmon é forte o bastante para destruí-los com apenas um golpe!”
“E você acha que não sabemos disso?!” gritou Leomon. “Olhe aqui pirralho, nós temos tanta razão para lutar quanto vocês, além do mais, é o destino do nosso mundo e as nossas próprias vidas que estão em jogo, falo por todos aqui quando digo que morreria para salvar o Digimundo, nem que fosse apenas para ajudar a fazê-lo!”
“Eu... eu entendo, me desculpem.” Disse Izzy. “Afinal, vocês têm tanto direito de lutar quanto qualquer um de nós...”
“E nós não seremos derrotados facilmente, Pip!” exclamou Picklemon.
“É isso mesmo, vamos dar o melhor de nós!” completou Yukidarumon.
“Parem com essa baboseira... nós não temos tempo para isso!” Matt estava cada vez mais impaciente.
“Digiescolhidos, nós temos que ter um belo plano de ação para poder atacar a fortaleza de ChaosPiedmon.” Disse Andromon.
“Sim nós sabemos disso, já bolamos toda estratégia, apenas precisamos incluir vocês nela...” apontou Izzy.
“Já bolaram em? Digam-me então como vocês pretendem passar a Guarda Coringa.” Disse Leomon.
“Guarda Coringa?!” exclamaram as crianças quase que em coro.
“Sim sim, Pip. A Guarda Coringa é o exército de Elite que guarda a Montanha Espiral. Dessa vez ChaosPiedmon quis se certificar de que vocês não entrariam em seus domínios, Pip.” Respondeu Picklemon.
“Eu proponho o seguinte: Nós da Resistência iremos segurar a Guarda Coringa pelo maior tempo possível, enquanto isso vocês seguem em frente com seu plano original.” Propôs Andromon.
“Sim, seria o melhor a ser feito, porém... Vocês conseguem segurá-los?” perguntou Joe meio sem graça.
“Eu prometo à cada um de vocês que nenhum soldado vai passar por nós. Nem que eu tenha que dar a minha vida para isso.” Leomon estava tão sério que causou até arrepios em algumas das crianças, era fato, eles estavam lá para morrer por eles.
“Muito bem então vamos, não temos mais tempo a perder, Tai precisa de nós!” gritou Davis e todos assentiram.
E assim o grupo seguiu em direção à Montanha Espiral...
“Ahhh” os gritos de dor de Tai podiam ser ouvidos por toda extensão da Montanha. Ele se encontrava na morada de Piedmon, no topo de Montanha, e estava preso em uma cela.
“O que foi pirralho? Onde está toda aquela coragem agora?” ChaosPiedmon torturava Tai com imagens de Kari e Agumon sendo mortos na batalha, Matt e Sora fugindo juntos e abandonando ele...
“Piedmon... já te falaram... que você tem cara de palhaço?” zombou Tai juntando o resto de suas forças.
“Aquele que você conheceu não existe mais, eu sou ChaosPiedmon agora!”
“Como quiser, você continua ridículo.” Provocou Tai novamente.
“Garotinho insolente, vou te ensinar a ter respeito!” E novamente as imagens que só ficavam piores invadiram a mente de Tai, dominando-o e tomando todo seu pensamento. Ele não ia agüentar muito tempo.
ChaosPiedmon podia ouvir o som de passos invadindo a Montanha Espiral.
“Hum? Este som? Será possível que seus amiguinhos não aprenderam a lição? Eu sabia que eles eram burros, mais me enfrentar na minha própria casa é suicídio! Ah sim, vejo que eles trouxeram outros convidados também. Muito bem, dar-lhes-ei uma recepção calorosa!”
“Leomon, eles estão vindo!” gritou T.K que voava alto junto à Holy Angemon.
“Muito bem então, que venham seus malditos! Resistência, vocês estão prontos?!” gritou Leomon.
“Sim!” responderam os outros Digimons com força e estusiasmo.
“Então vamos acabar com eles! PELO NOSSO MUNDO, PELO DIGIMUNDO!” e Leomon gritou com tanta força que mais parecia um rugido, ecoando por todo Digimundo e alimentando seus aliados como uma onda de energia e coragem.
Em meio à zona da batalha que se iniciava e passando rapidamente entre os vários Digimons recebendo diversos ataques, os Digiescolhidos acharam sua rota de fuga e seguiram em alta velocidade para o topo da Montanha. Joe e Cody tiveram que se esquivar de um Soco Gelado de Yukidarumon e Mimi tinha certeza de que tinha perdido alguns fios de cabelo quando a Lâmina Trovão de Andromon passou raspando por ela, mais fora isso eles conseguiram escapar com êxito.
E lá estavam as 9 crianças e seus Digimons subindo cada vez mais a Montanha que, ao contrário do esperado não era íngreme, na verdade, parecia até que o caminho tinha sido moldado para facilitar a chegada deles, o que era de fato preocupante. Aí eles finalmente avistaram a morada de Piedmon, sem hesitar todos continuaram em frente. A imagem de Tai e a lembrança da coragem dele em seus corações falava mais alto agora do que qualquer medo que eles podiam sentir do Digimau.
“Perdoe-me a falta de educação, e não costumo deixar meus hóspedes esperando. Mas tenho que resolver um assunto que não pode ser adiado.” E ChaosPiedmon saiu da casa pronto para enfrentar as crianças. Mal sabia ele que, enquanto perdia tempo com os 9, Matt, Sora e os outros Digimons contornavam a Montanha, preparando um resgate pelas costas dele.
“Oh, Digiescolhidos! Que surpresa ver vocês por aqui. No momento estou ocupado, então agradeceria se morressem LOGO!
“Trunfo de Espadas!”
O fato é que eles eram muitos, mesmo para ChaosPiedmon. Enquanto alguns eram feridos, outros já se preparam para atacar. Não tinha como acabar com eles rapidamente.
“Flecha Celestial!”
“Bafo de Dragão!”
“Chifre Colossal!”
ChaosPiedmon se esquivou dos golpes com facilidade. E foi então que ele o viu. Holy Angemon e o pirralho loirinho. Os outros não importavam, aqueles dois tinham estragado tudo, eles deveriam morrer!
“Cuidado pessoal, ele vem aí!” gritou Davis.
“Corte Aéreo!”
“Fissura!”
“Martelo Vulcão!”
“Flecha Venenosa!”
Gritaram os Digimons de Yoli, Cody, Joe e Ken.
“Fracos!”
“Coringa Maldito!”
E mais uma vez nenhum dos golpes surtiu efeito, ChaosPiedmon estava se aproximando das crianças, o que ele pretendia?
“Cuidado T.K!” gritou Holy Angemon.
“Eu acabarei com vocês dois primeiro!” gritou ChaosPiedmon.
“Feitiço Final!”
O golpe vinha diretamente para T.K e Holy Angemon.
“Portal do Destino!”
E o golpe atravessou o portal indo parar em outra dimensão.
“Grr. Eu ainda não terminei!”
“Coringa Maldito!”
“Desinfecção Angelical!”
E um escudo sagrado se formou em volta dos Digiescolhidos. Quando a técnica de ChaosPiedmon acertou o escudo T.K pôde ver de relance um espasmo de Holy Angemon. Nem mesmo ele estava agüentando mais, eles precisavam de Tai e Matt.
A batalha ficava cada vez mais difícil para a Resistência. Parecia que mesmo derrubando um inimigo, outro vinha e tomava seu lugar de imediato. Todos sabiam que aquilo estava longe de acabar, mais também sabiam que não podiam desistir pois era vital que o exército permanecesse ocupado com eles. Picklemon enfrentava 5 inimigos ao mesmo tempo – um Meramon, dois Tiranomons e três Cockatrimons - com movimentos tão rápidos que chegava a ser difícil de acreditar. Leomon por sua vez dava conta de tantos com uma fúria inigualável que era difícil distinguir direito o que estava acontecendo.
“Por favor Digiescolhidos, dêem o melhor de si, Pip!” pensou Picklemon e continuou a lutar, dessa vez criando uma enorme esfera de magia que varreu vários inimigos do campo de batalha.
“Não parem! NÃO DESISTAM!” Leomon rugia incessantemente e animava seus companheiros, até ele já estava ficando cansado...
Tai estava caído em sua cela na sala de ChaosPiedmon. Tinha acabado de recuperar a consciência e ainda estava meio confuso. Podia ouvir sons de explosões vindos de fora da casa. Aparentemente uma batalha estava ocorrendo lá. Será que eram Kari e os outros?
Eles tinham vindo enfrentar ChaosPiedmon para salvá-lo. Ele precisava ajudá-los. Mas como ia sair dali?
Quase que como resposta a sua pergunta, a parede ao lado explodiu e Tai pôde identificar a figura de Matt, Sora, Agumon e Pyomon montados em MetalGarurumon, em meio à poeira que se formava dentro da casa. E lá estavam eles, seus melhores amigos tinham vindo para salvá-lo. E, lá fora, estavam lutando por ele. Mesmo estando naquela situação, Tai sentia uma felicidade imensa. Ele sabia que era importante para eles. Importante o bastante para que viessem arriscar sua vida por ele.
“Agumon!” gritou Tai.
“Tai! Tai! Me desculpe eu não consegui impedi-lo aquela hora!” gritou Agumon.
“Não tem problema Agumon, estamos juntos de novo.”
“Sora, Matt. Obrigado. Eu sabia que vocês viriam.”
“Como da última vez não é? Parece que você não se vira sem a gente.” Disse Matt brincando.
“Nós vamos tirar você dessa cela!” disse Sora.
Pyomon Digivolve para... Birdramon! Birdramon Superdigivolve para... Garudamon!
Garudamon destruiu a cela com facilidade, e Sora correu e abraçou Tai com toda sua força.
“Nós ficamos preocupados! Nunca mais faça isso, ouviu?” Aquela era Sora, sempre bancando o papel de mãe. Mas Tai não queria esse tipo de relação com ela. Não era hora pra isso, Tai respondeu com um simples “Pode deixar” e eles seguiram para a entrada da casa, para ajudar os outros.
“Trunfo de Espadas!”
“Feitiço Final!”
“Crianças, eu não posso agüentar mais, o escudo vai quebrar!” gritou Holy Angemon que chegara ao seu limite.
“Tenham fé pessoal, eu sei que eles vão vir nos ajudar!” gritou Mimi.
“Olhem lá! São eles!” gritou Izzy apontando para mais a frente.
“Ótimo, parece que foi tudo uma distração. Como eu caí num truque tão barato! Não importa, está na hora de colocar meu plano em ação. A festinha vai começar! Muahahahaha! gargalhou ChaosPiedmon.
Tai e os outros se juntaram as 9 crianças e se prepararam para enfrentar o inimigo.
“Maninho você está bem? Eu tava tão preocupada!” disse Kari abraçando Tai.
“Tô sim Kari, vocês não deviam ter se arriscado por mim.”
“Não fale besteiras, Tai. Nós somos um grupo lembra?” disse Izzy.
“É isso mesmo, e todo grupo tem seu líder.” Disse Davis.
“Você é nosso líder Tai, acreditamos em você!” disse Agumon.
“Muito bem então! Digiescolhidos, vamos acabar com esse cara!”
Agumon Megadigivolve para... WarGreymon!
“Ah mais que comovente. O líder dos fracotes está de volta. Eu adoraria assistir suas tentativas inúteis de me derrotar, mas já me cansei de vocês. Eu aprendi muito sobre todos em nossa última batalha, e agora sei o que lhes dá tanto poder, finalmente sei como derrotá-los!
“Sabe como nos derrotar? O que você quer dizer?” perguntou Matt.
“Ah, vocês vão ver em breve.” Respondeu ChaosPiedmon com um olhar sombrio.
“Ayrändha sukytr därkrn juste irw!” Dizia ChaosPiedmon enquanto fazia símbolos estranhos com as mãos.
“Izzy, o que ele está fazendo?” perguntou Tai preocupado.
“Eu... eu não sei. Meu computador não reconhece como nenhum golpe Digimon.” Respondeu Izzy confuso.
“Não importa, vamos acabar com ele!” gritou T.K
Quando as crianças se preparavam para atacar, ChaosPiedmon terminou a seqüência de símbolos e parou de falar. Nesse momento o Digivice de cada uma das crianças desapareceu, e reapareceu flutuando na frente de Piedmon. Lá estavam os 12 Digivices, os aparelhos que sempre ajudaram as crianças, que sempre estiveram com elas. O que ele pretendia com isso?
“Eu entendi o que nenhum deles conseguiu. Devimon, Etemon, Myotismon e nem mesmo Apokalimon. Todos eles cometeram o mesmo erro. Eles pensaram que as crianças eram o perigo, quando na verdade, o verdadeiro poder emana desses aparelhos, esses malditos Digivices!
ChaosPiedmon estava certo. Desde que tinham vindo pela primeira vez para o Digimundo os Digivices tinham salvado as crianças de vários problemas. Além do mais, sem eles, não seria possível Digivolver. Será mesmo que as crianças não passavam de pessoas capazes de usar o Digivice, quer dizer, qualquer com um Digivice poderia estar ali, no lugar deles?
E então, para desespero total das crianças, Piedmon destruiu os 12 Digivices, ali, bem na frente deles. O brilho que cada aparelho soltava foi se apagando aos poucos conforme ChaosPiedmon os destruía. E, por fim, todos Digimons voltaram a ser bebês. De fato, sem os Digivice, eles não eram nada. Que chance tinham eles, 12 crianças e 12 digimons bebês, contra o mais poderoso dos Mestres das Trevas?
“Poxa crianças, não fiquem tristes! Vocês deviam saber que não tinham chance de me derrotar desde o começo. Eu mergulhei de corpo e alma no Mar das Trevas, meu poder aumentou cerca de 10 vezes, assim como tudo ficou claro para mim. Destruir os Digivices era a chave para a vitória!”
“Então foi isso, ele entrou naquele mar...” disse Kari.
“Sim, o mesmo mar que transformou meu Digivice...” completou Ken.
“Nada mais importa. Nós não podemos fazer nada, sem o Digivice, nós não somos nada.” Disse Joe desesperado. As crianças tinham perdido completamente a esperança, nenhum deles nunca pensou que poderiam perder aquele aparelho que mudou a vida deles para sempre.
“Nós não podemos desistir aqui!” disse Tokomon, que era Patamon em sua forma bebê.
“É isso mesmo, nós não vamos ser derrotados!” disse Koromon, a forma bebê de Agumon.
“Por favor, confiem em nós, sei que podemos vencer!” completou Demiveemon.
“Mas como vocês pretendem fazer isso sem Digivolver em, posso saber?” disse Ken.
“Bom... isso nós não sabemos...” respondeu Pyokomon.
“Ei pessoal, olhem só, recebi uma mensagem do Genai!” exclamou Izzy.
“Digiescolhidos não desistam. Quero que saibam que os Digivices não passam de instrumentos, aparelhos utilizados para canalizar e moldar a energia de seus usuários. Na verdade o poder sagrado do Digivice vem de cada um de vocês, ele só serve para facilitar o uso desse poder. Vocês já estão suficientemente ligados aos seus Digimons para poder passar essa energia diretamente para eles, não precisam mais do Digivice, só precisam acreditar em vocês mesmos!”
“É isso que diz pessoal.” Completou Izzy. No momento em que terminaram de ler a mensagem uma das espadas de Piedmon passou voando e quase acertou Izzy, destruindo seu laptop. “Não! Meu laptop...”
“Não é hora de se preocupar com isso Izzy, pelo menos sabemos que nós temos o poder necessário!” disse Sora.
“Vamos lá Digiescolhidos! Vamos dar nossa energia para os Digimons!” gritou Tai.
“O quê? Não pode ser, a energia vem dos Digivices, vocês não são nada, NADA!”
“Nós oferecemos o poder sagrado à vocês!” gritaram as 12 crianças, e ao dizer essas palavras cada um deles brilhou com uma luz dourada, que passou para cada um dos respectivos Digimons, que avançaram direto para a forma criança.
“Tai, eu sinto a sua energia!” gritou Agumon.
“Obrigado Matt!” agradeceu Gabumon.
“Vamos lá Digimons!” gritou Veemon.
Agumon Megadigivolve para... WarGreymon!
Gabumon Megadigivolve para... MetalGarurumon!
Pyomon Digivolve para... Birdramon! Birdramon Superdigivolve para... Garudamon!
Tentomon Digivolve para... Kabuterimon! Kabuterimon Superdigivolve para... AtlurKabuterimon!
Palmon Digivolve para... Tokemon! Tokemon Superdigivolve para... Lilymon!
Gomamon Digivolve para... Ikakkumon! Ikakkumon Superdigivolve para... Zudomon!
Patamon Digivolve para... Angemon! Angemon Superdigivolve para... Holy Angemon!
Tailmon Superdigivolve para... Angewomon!
Veemon Digivolve para... Ex-Veemon! Ex-Veemon Superdigivolve para... Max-Veemon!
Wormmon Digivolve para... Stingmon! Stingmon Superdigivolve para... Needlemon!
Hawkmon Digivolve para... Aquilamon! Aquilamon Superdigivolve para... WarHawkmon!
Armadillomon Digivolve para... Anquilomon! Anquilomon Super Digivolve para... MetalEarthmon!
“Não! NÃO! Isso não pode estar acontecendo! Eu destruí os Digivices, eles que tem o poder!” ChaosPiedmon estava perdendo o controle.
“É aí que você se engana, seu palhaço de circo!” gritou Tai.
“Você cometeu o pior erro que se pode cometer!” continuou Matt.
“Você subestimou o poder dos Digiescolhidos!” gritaram todos.
“Isso é o que nós vamos ver!” respondeu ChaosPiedmon com ódio.
“Coringa Maldito!”
Os 12 Digimons defenderam o golpe com dificuldade.
“Tai, ele ainda é forte demais para nós!” disse WarGreymon.
“Precisamos concentrar todo nosso poder em um só Digimon!” gritou MetalGarurumon.
“Amigos, passem o poder de vocês para WarGreymon e MetalGarurumon!” gritou Matt.
“Ok, Matt! Vamos nessa pessoal!” gritou Davis.
Então, os 10 Digimons deram toda sua energia para os dois extremos e se tornaram crianças novamente. Agora tudo estava nas mãos de Tai e Matt.
“Eu sinto a energia de todos eles Matt!” disse MetalGarurumon.
“A força deles está conosco!” completou WarGreymon.
“Matt!” gritou Tai.
“Eu entendi, vamos lá MetalGarurumon!” respondeu Matt.
E então, um milagre aconteceu. Banhados pela grande energia de todos os Digiescolhidos, os dois Digimons extremos juntaram poder o suficiente para realizar a Digievolução suprema.
WarGreymon e MetalGarurumon Digivolvem para... Onminimon!
A figura era colossal. Metade WarGreymon metade MetalGarurumon, com um corpo forte e resistente.
“Não pode ser! Quem é esse?!” gritou ChaosPiedmon.
“Isso é como...” começou Izzy.
“Há 4 anos atrás.” Terminou T.K
“Não temos muito tempo. A Digievolução consome muita energia, temos que acabar com ele rápido!” disse Onminimon, que tinha uma voz que era a mistura das vozes dos dois Digimons extremos.
“Morram de uma vez!” gritou ChaosPiedmon.
“Feitiço Final!”
“Lazer Positrônico!”
Um enorme raio de luz saiu do braço em forma de MetalGarurumon, atingindo em cheio o feitiço de Piedmon e acabando com ele. O poder foi tanto que a bola de energia continuou avançando e feriu ChaosPiedmon.
“Não, isso não pode estar acontecendo... Será que eu estava errado? É possível que eles sejam a fonte de todo o poder?”
Mas era tarde demais para ChaosPiedmon. Onminimon já voava numa velocidade impressionante em sua direção.
“Espada Transcendente!”
Um corte e ChaosPiedmon foi atirado para longe, incapaz de se mover. Ainda não tinha sido completamente destruído, mais isso era apenas questão de tempo.
“Vamos lá Onminimon!” gritou Tai.
“Acabe com ele de uma vez!” gritou Matt. Os outros Digiescolhidos e seus Digimons observavam apreensivamente. Mas antes que ele pudesse desferir o golpe final a Digievolução acabou.
Não importava, naquele estado qualquer um dos digimons podia facilmente acabar com ChaosPiedmon.
Capítulo 14
O Sacrifício do Herói
“Eu... ainda... não vou morrer. Não, com certeza, eu não posso morrer sem ter minha vingança!”
“Trunfo de Espadas!”
De repente, uma das espadas de ChaosPiedmon que tinha ficado caída no chão depois da batalha foi erguida no ar e atirada em direção à T.K, que nada pôde fazer para esquivar. Era tarde demais, a espada era muito rápida para que um dos Digimons crianças alcançasse T.K, além do mais, estavam todos sem energia. Parecia o fim para o garoto.
Sangue. Gotas de sangue foram derramadas no chão da Montanha Espiral naquele dia. Com um corte certeiro a espada desapareceu depois de atingir o alvo. E lá estava ele, estendido no chão, quase morto. Era Matt. Poucos segundos antes da espada atingir T.K, Matt pulou na frente sem hesitar para defender o irmão. A espada atravessou-lhe o peito.
“Matt!” um grito que assustava até a mais terrível das criaturas. Era Sora, agonizando pela imagem daquele que ela amava estendido no chão sangrando.
“T.K... Você está bem?” T.K não fazia nenhum movimento. Seus olhos fixos na cena que se passava na frente dele. Seu irmão, seu melhor amigo. Matt tinha dado sua vida por ele.
“MATT, MATT, IRMÃOZÃO, NÃO MORRA MATT, POR FAVOR!” T.K tinha perdido totalmente a vontade de viver, a idéia de perder Matt era pior do que perder a própria vida, era algo com o qual ele não podia conviver.
“T.K... vai... vai ficar tudo bem...” Matt falava com dificuldade. O sangue jorrava de seu peito a medida que o garoto lutava para se manter vivo. Gabumon estava paralisado olhando a cena de longe. Os outros Digiescolhidos não falavam nenhuma palavra. Ninguém podia acreditar no que estava acontecendo.
Tai veio correndo de encontro à Matt e T.K.
“Matt... você... por que você fez isso Matt!” Tai gritava com Matt como um pai gritaria com seu filho se o mesmo fizesse algo errado.
“Você cresceu T.K. Não precisa mais de mim, não precisa mais de ninguém. Você se tornou muito mais do que eu já fui. Espero que tenha uma ótima vida irmãozinho. Ah, mande um beijo pra mamãe por mim, eu e ela nunca fomos muito chegados, acho que isso foi culpa minha também. E o papai... ah o papai, quem vai cozinhar o jantar dele agora? Eu fiz tantas besteiras nessa vida, só queria ter uma segunda chance...” Tai e T.K podiam perceber a força que Matt utilizava para dizer cada palavra, como se cada sentença fosse agonizante.
“E você Tai. Me desculpe, parece que você vai ter que arrumar outra pessoa pra brigar...”
“Matt, não fale Matt, não se esforce. Nós vamos conseguir ajuda para você, confie em mim. IZZY chame alguém depressa!”
“Não posso fazer nada Tai, ChaosPiedmon destruiu meu laptop!”
“Tem que ter um jeito!” lágrimas agora corriam pelo rosto de Tai. T.K estava ajoelhado ao lado do irmão ferido, chorando.
“Tai, por favor, deixe-me ir. Não há nada que vocês possam fazer, eu escolhi isso.” Matt disse as palavras num tom calmo e agradável.
“Não Matt, você não vai a lugar algum!” negou-se Tai. Sora também tinha se ajoelhado ao lado do garoto.
“Sora, queria ter passado mais tempo com você... mais parece que nosso destino não era ficar juntos afinal.”
“Não fale bobagens Matt, eu te amo, eu te amo mais que tudo, nós temos uma vida inteira pela frente juntos!” Sora gaguejava de tanto desespero.
“Pelo menos” começou Matt “eu finalmente não ficarei mais entre vocês dois” ele olhava para Tai e Sora.
“Matt você não...” mais ele não deixou Tai terminar.
“Tai... é como daquela ultima vez, não é? Quando enfrentamos Piedmon pela primeira vez... você acreditou em mim, você me esperou e arriscou sua vida, mas nunca parou de acreditar em mim. Obrigado Tai, você foi... meu melhor amigo.”
E essas foram as últimas palavras de Matt Ishida. Talvez não o mais animado dos Digiescolhidos, nem o mais carismático. Mas sem duvida, o mais corajoso.
“NÃO, MATT! VOCÊ NÃO PODE MORRER! VOCÊ NÃO PODE NOS DEIXAR AQUI SOZINHOS! MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAATT!” o grito de Tai ecoou por todo Digimundo. Um grito de amor, de ódio, de tudo que uma pessoa podia sentir ao mesmo tempo. Ele não se importava mais com nada, com ninguém. Ele ia destruir ChaosPiedmon com suas próprias mãos.
“Ihh, mais que peninha. O loirinho não precisava morrer assim, eu queria acabar com aquele menor. Bom, tanto faz, ele e aquele cachorro eram bem chatinhos mesmo.”
As palavras de Piedmon foram a gota d’água. Tai levantou-se limpando as lágrimas, deixando o corpo de Matt sem vida sob os cuidados de Sora e T.K, que choravam e chamavam o nome do garoto em vão. Ele andou, foi andando em direção à ChaosPiedmon. Seu único objetivo? Vingança. Nada, além disso, importava. Uma espada no caminho, nada mais conveniente, outra das espadas de ChaosPiedmon que caiu durante a batalha foi empunhada por Tai. Ele não tinha nada a perder, correu com um ódio que nunca pensou que pudesse sentir antes e apunhalou o coração do monstro, ou, talvez, qualquer coisa que ele tivesse naquele lugar do peito.
Com um curto e baixo gemido, ChaosPiedmon foi destruído, transformando se em dados e sumindo no ar. Mas aquilo não bastava para Tai. Ter concluído a tão difícil missão. Ter salvado o Digimundo novamente. Nada daquilo se comparava à perda de Matt. Ele queria voltar no tempo, daria tudo para voltar. Desejava que Piedmon sentisse o que ele sentiu. A dor que inundava seu peito e dominava seus pensamentos. Aquela dor insuportável que surgia com a simples lembrança do velho amigo, sorrindo para o nada.
Não, a vingança não bastava, aliás, não tinha feito diferença alguma. Ele continuava vazio e sem vontade de viver.
“Eu não... eu não vou aceitar isso.” Disse T.K calmamente limpando as lágrimas. “EU VOU TRAZÊ-LO DE VOLTA MATT!” E como uma faísca na escuridão a luz verde da Esperança brotou no peito de T.K. Iluminando todos os presentes e o corpo sem vida de Matt. Uma luz que chegava a cegar todos envolta. E assim como aconteceu com T.K, um a um, os brasões de cada criança brilharam forte, fazendo um festival de cores no topo do Digimundo.
“Coragem!”
“Sabedoria!”
“Sinceridade!”
“Confiança!”
“Amor!”
“Esperança!”
“Luz!”
“Determinação!”
“Entusiasmo!”
“Bondade!”
“Verdade!”
Então as luzes se juntaram, formando um arco-íris em cima de Matt. O corpo pálido do garoto aos poucos foi recuperando sua cor normal. A ferida ensangüentada no peito foi fechada. Em questão de segundos, ao apagar das luzes, Matt abriu os olhos. E com o surgimento de uma grande luz Azul saindo de seu peito, ele gritou, sem sequer saber por quê.
“Amizade!”
Sim, ele estava vivo novamente. Nenhum dos presentes tentou explicar o que aconteceu, todos sabiam que era alguma coisa fora da compreensão de 12 crianças. Além do mais, nenhum deles se importava com isso, Matt estava de volta, e isso bastava.
“Tai, eu não sei o que aconteceu, mais eu fiz como você. Eu acreditei em você até o ultimo momento, não parei nem por um segundo. Eu sabia que você ia me salvar de alguma maneira. Aliás, obrigado, a todos vocês.”
Tai não disse nada. Apenas andou em direção a Matt e lhe deu um abraço. Um abraço tão forte que Matt pensou que fosse morrer de novo. Com um pequeno tapinha nas costas de Tai, ele disse “Posso respirar agora?”
“Haha, desculpa.” Disse Tai largando o amigo.
“Matt!” gritaram T.K e Sora que vinham correndo. Logo atrás estavam Davis e os outros Digiescolhidos.
“Nossa Sora, que cara é essa? Quem morreu?” brincou Matt.
“Como assim que cara é essa? Você acabou de...” começou Sora.
“Sora, não.” Impediu T.K.
Estava claro que Matt não lembrava que há alguns minutos atrás tinha morrido.
“Eu acabei de...?” continuou Matt.
“Você... você acabou de derrotar ChaosPiedmon! Sim sim, você e o Tai acabaram de derrotá-lo, por isso eu fiquei emocionada né, você me conhece .” a desculpa de Sora colou tão mal que parecia verdade. Matt mal teve tempo para fazer mais perguntas porque Sora o beijou como nunca tinha beijado antes. Os outros em volta ficaram sem graça, mais nenhum deles deu muita importância, o momento era feliz demais para ser estragado. Até Tai conseguiu se segurar, por mais que não conseguisse olhar diretamente para a cena. Quando os dois finalmente terminaram de se beijar, Sora olhou no fundo dos olhos de Matt e disse do fundo de seu coração.
“Eu te amo.” Nenhum outro gesto teria demonstrado mais o amor de Sora do que aquela simples fala, estava claro, escrito na testa dela, ela estava apaixonada.
“Eu também.” Os dois não disseram mais nada.
Ao lado do Sora veio T.K, que se manteve calado para não atrapalhar o momento.
“Irmãozão...” começou T.K.
“Nossa... você não me chama assim faz um tempo. Pensei que se achava grande demais para essas coisas agora.” T.K não respondeu, apenas continuou olhando para Matt.
“Obrigado... obrigado por ser meu irmão.” T.K abraçou Matt e beijou-lhe o rosto. Lágrimas de felicidade escorriam da cara do garoto. Matt não entendeu nada, mais também não protestou. Para falar a verdade, ele sentia falta do irmão. Desde que os dois tinham ficado mais velhos eles se afastaram, como se não tivessem mais tempo um para o outro. Mas agora estava claro que aquilo iria mudar.
Então, Matt se levantou, ainda com T.K abraçando-o.
“Mais que estranho. Eu me lembro de estar lutando com ChaosPiedmon, Gabumon e Agumon se transformaram em Onminimon... mas daí para frente eu não me lembro de nada, só de uma escuridão e da imagem de vocês me dizendo para não desistir, aí tudo se transformou em luz...”
“Ah, isso é porque quando nós destruímos ChaosPiedmon uma onda de energia derrubou todos nós, e você caiu e bateu a cabeça...” inventou Gabumon que tinha permanecido encolhido desde a visão de Matt estendido no chão.
“Ah então foi isso... Mesmo assim eu ainda não me lembro de...” mais Matt foi interrompido por Davis.
“Bom isso não importa agora, o que importa é que nós finalmente derrotamos ChaosPiedmon! Isso quer dizer que o Digimundo está a salvo novamente.”
“É isso aí pessoal, nós arrasamos!” gritou Tai.
“Esperem um pouco aí! Nós esquecemos da Resistência, como será que eles estão?!” gritou Joe
Uma sensação de preocupação passou por todos, eles realmente tinham se esquecido de seus amigos que tinham ficado para trás para lutar por eles. As crianças então correram para a entrada da Montanha, aonde tinham visto a Resistência pela última vez.
“Não vejo ninguém...” disse Mimi.
Vazio. A cena que eles tinham visto quando fugiram para enfrentar Piedmon era totalmente contrária a o que eles viam agora. Assim como aparentemente todo exército havia sido derrotado, eles não viam nenhum dos membros da Resistência. E de repente um sentimento de angústia e tristeza invadiu o coração de todos conforme eles se lembravam da fala de Leomon:
“Eu prometo à cada um de vocês que nenhum soldado vai passar por nós. Nem que eu tenha que dar a minha vida para isso.”
Mas antes que o grupo mergulhasse numa tristeza profunda, uma voz veio do vazio do campo de batalha, penetrando nos ouvidos das crianças e supreendendo-as.
“Ei ei ei, podem mudar essas carinhas tristes, nós não morremos ainda, Pip!”
E ao término da frase, a Resistência surgiu no meio do cenário antes vazio. Graças a magia de Picklemon eles tinham permanecido escondidos desde o fim do confronto, para poder descansar e se recuperar sem serem atacados.
“Eu disse que eles não iam passar, não disse?” riu Leomon. Não era normal vê-lo de bom humor, mais ninguém resolveu contestar, alguns inclusive riram com ele.
“Graças a Deus vocês estão bem!” Mimi saiu correndo e abraçou Leomon, que ficou pouco confortável com a situação.
“Obrigado pessoal, a todos vocês!” agradeceu Tai.
“Ah não tem problema, eu ainda estou em dívida com você por tirar aquela engrenagem preta de mim... Yukidarumon!” Yukidarumon tinha ajudado Tai desde que o garoto o salvou do controle de Devimon, por mais que isso não fosse grande coisa, o Digimon tinha ficado em dívida e fazia de tudo por Tai. Como de costume, ele repetia seu nome com muito entusiasmo.
“Parabéns, nós conseguimos!” disse Kari. T.K se aproximou dela e disse.
“Olha Kari, sobre o que eu te disse antes...”
“Eu também.” Kari nem deixou ele terminar de falar. T.K entendeu que ela se sentia da mesma forma e a beijou.
Essa realmente pegou todos de surpresa. Principalmente Tai e Davis, que ficaram vermelhos de raiva.
“Ei tira as suas mãos da Kari, ela é minha!” gritou Davis.
“Sua? Ela não é de nenhum dos dois, o próximo que encostar a mão na minha irmãzinha vai apanhar!” gritou Tai.
“Calma maninho. Você não prefere que eu namore alguém que você conhece e gosta, como o T.K? Tai parou para pensar por um minuto. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde Kari iria namorar alguém, e de fato era preferível que fosse com alguém como T.K.
“Relaxa Tai, eu deixo ela em casa até as 22:00.” Brincou T.K.
“Vamos ver quem vai relaxar quando eu te der umas porradas seu pirralho folgado!” gritou Tai.
“Tai, deixa. Você não percebeu nada não? Esses dois se gostam de verdade. E você ainda ia sair no lucro tendo a honra de fazer parte da minha família.” Brincou Matt.
“É isso aí, cunhadinho.” ironizou T.K.
“Ai meu deus, eu desisto. Podem ficar juntos, mais nada de sair escondidos para namorar. E qualquer coisa que fizerem vai ser lá em casa, não quero os dois sozinhos nem por um segundo!” Tai soava como seu pai, e, quando ele próprio percebeu isso, começou a rir. E os outros juntaram-se a ele. Alguns nem sabiam direito porque estavam rindo, mais tudo parecia tão bem que não precisavam de uma razão. E assim os 12 Digiescolhidos e seus Digimons, com ajuda da Resistência, derrotaram o pior inimigo e trouxeram paz aos dois mundos. Quem poderá dizer qual será a próxima aventura de Tai e seus amigos? Por enquanto, é hora de voltar para casa...
Pip, pip, pip, pip, pipiriripipipipip...
Epílogo
O Digimundo foi marcado novamente pelas Trevas e pelo Mal. Mas as feridas foram se curando ao passo que a Resistência retomou cada território que pertenceu a ChaosPiedmon e restabeleceu a paz neles. Os Digiescolhidos descobriram depois que Genai tinha se mantido afastado tanto tempo porque tinha sido incumbido da tarefa de Selar o Portal para o Mar das Trevas de uma vez por todas, para evitar que novas ameaças, como ChaosPiedmon, surgissem no Digimundo.
Já faziam dois meses desde que as 12 crianças haviam voltado para seu mundo. As férias de verão terminariam no dia seguinte e todos estavam ansiosos pela volta das aulas. As aventuras e perigos compartilhados por aquelas 12 crianças nas férias nunca seriam esquecidas. Assim como as amizades e amores que também surgiram naquele verão durariam para sempre. O grupo estava mais unido do que nunca.
Tai nunca conseguiu esquecer Sora, mais ele e Matt finalmente chegaram a um acordo e ficou decidido que Matt continuaria com ela, sem as intervenções do amigo, porém ele teria que fazer o dever de casa de Tai por um ano (Sora brigou com os dois quando descobriu que foi tratada como uma mercadoria.), mas no geral, tudo estava bem entre os três.
Izzy comprou um novo laptop e, com ajuda de Yoli e Genai, adaptou a rede que ligava os dois mundos para permitir que, mesmo sem os Digivices, as crianças pudessem circular no Digimundo sem problemas e, assim, visitar os Digimons.
Davis se conformou com o fato de Kari e T.K estarem juntos e, com um empurrãozinho dos outros, seguiu em frente atrás de uma garota que conheceu numa lanchonete. Tempos depois eles estavam saindo juntos.
T.K e Kari viviam grudados desde que se declararam um para o outro. T.K percebeu que era melhor para todos que ele não provocasse Tai, e, por isso, sempre procurava manter uma postura impecável na presença do cunhado. Kari parecia feliz e satisfeita, e, pela primeira vez podia se importar com ela mesma, sem pensar sempre nos outros.
Ken finalmente se livrou do fantasma do Imperador Digimon, que assombrava seu passado e começou a namorar Yoli. De uma hora para outra os dois pareciam almas gêmeas.
Cody dedicou seu tempo para treinar kendô e estudar, mantendo seu jeito reservado, mais nunca deixava de ir aos muitos encontros marcados pelo grupo de Digiescolhidos.
Joe continuava estudando para se tornar um médico, ou não. Para falar a verdade ele não sabia bem o que ia se tornar, mais tinha certeza que ia se esforçar muito.
Mimi estava satisfeita apenas com longos banhos de espuma e uma cama confortável para dormir, para falar a verdade, ela tinha mais medo da falta de conformo do Digimundo do que propriamente dos inimigos. Ela finalmente resolveu assumir sua quedinha por Izzy, mais não o fez do modo mais tradicional. Para falar a verdade, ela mandou um e-mail dizendo tudo que sentia e, por mais que fosse absurdo, conquistou o garoto na mesma hora. Os dois não tinham assumido nada, mais Tai jura que viu um beijinho da última vez que os 12 se encontraram.
Todos sabiam que o conflito da luz e das trevas nunca acabaria, mas sabiam também que nada podia detê-los enquanto estivessem unidos. A força dos Digiescolhidos não vinha mais de Digivices ou Brasões. Agora eles sabiam que tinham sido escolhidos por uma razão, e não apenas pelo fato de terem tido contato com o mundo digital quando eram menores.
Kari não sentia mais aquela sensação de Trevas desde o fim de ChaosPiedmon. Sim, dessa vez, tudo estava bem.